quinta-feira, 2 de novembro de 2017

'También la Lluvia' é um belo filme que mostra a luta vitoriosa do povo boliviano contra a privatização da água! - Marcos Doniseti!

'También la Lluvia' é um belo filme que mostra a luta vitoriosa do povo boliviano contra a privatização da água! - Marcos Doniseti!
'También la Lluvia': Um filme fantástico e imperdível, que mostra a luta vitoriosa do povo boliviano contra a privatização da água, que chegou até a impedir que a população usasse a água da chuva para uso próprio. Até a água da chuva foi privatizada, daí o título em espanhol (castelhano, de fato) 'También la Lluvia' (A Chuva Também). 
'También la Lluvia' é um dos melhores filmes políticos a que já assisti, sem dúvida, até hoje. E ele consegue ser político sem ser chato ou panfletário, muito pelo contrário. 

A trama filme se passa na Bolívia, sendo inteiramente baseado em uma história real, que entrou para a história com o nome de "Guerra da Água'. Esta aconteceu em Cochabamba, durante a época em que o país foi vítima das políticas neoliberais impostas pelos EUA e pelo FMI. 

No filme, vemos uma equipe de produção espanhola que vai até a Bolívia a fim de fazer um filme a respeito da chegada de Cristóvão Colombo à América (1492). O fato de que os índios com os quais Colombo estabeleceu contato eram das Antilhas e não da Bolívia não vem ao caso... 

O diretor do filme é Sebastián (Gael García Bernal) e o produtor do mesmo é Costa. Quando iniciam o trabalho de filmagem eles acabam se relacionando com os bolivianos de forma muito semelhante àquela que Colombo e os espanhóis o fizeram no final do século XV e nos séculos seguintes. 
Iciar Bollain, a diretora do filme 'También la Lluvia', trabalhou no filme 'Terra e Liberdade', de Ken Loach. 

Tal relação era marcada pela exploração da força de trabalho extremamente barata do país, que servia apenas para gerar lucros e riquezas para a Coroa espanhola e para a Burguesia metropolitana. 


Assim, o produtor Costa se gaba pelo fato de que pode contratar bolivianos para trabalhar como extras no filme pela módica quantia de US$ 2 diários. Sua preocupação limita-se a produzir o filme e em recuperar o investimento feito na produção do mesmo, tal como os espanhóis, portugueses e outros europeus que conquistaram e exploraram a América o fizeram por entre 300 e 400 anos. 

Logo, o filme de Iciar Bollain estabelece uma conexão direta entre a exploração colonial que vitimou a Bolívia e a América Latina durante mais de 300 anos e o processo de imposição de políticas neoliberais, que são uma espécie de atualização daquelas políticas coloniais. 

Afinal, a maior parte das empresas estatais (de energia, petróleo, telecomunicações, bancos, etc) e das riquezas naturais (petróleo, terras, minérios) dos países da América Latina foram compradas justamente por empresas multinacionais da Europa e dos EUA. 
Manifestação popular em apoio ao governo revolucionário de Victor Paz Estenssoro (MNR), em 1952, cujo governo promoveu a reforma agrária, nacionalizou importantes setores da economia e concedeu cidadania aos indígenas. 

A Revolução Nacionalista e Reformista de 1952 e o Governo Neoliberal de Paz Estenssoro (1985-1990)!


Como resultado das medidas que foram adotadas pelo governo de Victor Paz Estenssoro e, depois, de Hugo Banzer e Gonzalo S. de Lozada, tivemos um processo por meio qual as políticas neoliberais foram adotadas na Bolívia e que foram impostas por meio de políticas recessivas e repressivas. 

Isso resultou nas privatizações de praticamente todas as empresas públicas bolivianas, incluindo a empresa de abastecimento de água da cidade Cochabamba (SEMAPA), que acabou sendo comprada por uma empresa dos EUA (Bechtel). 

Tais políticas começaram a ser implementadas pelo governo de Estenssoro, um antigo líder político revolucionário que governou o país em quatro oportunidades, embora o seu segundo mandato tenha durado poucos meses (Agosto a Novembro de 1964), pois foi derrubado por um Golpe Militar muito parecido com o brasileiro do mesmo ano. 

Em 1952 ele foi o principal líder de uma Revolução que o transformou no principal líder político radical da América Latina, até que tivemos a Revolução Cubana, da qual emergiram Fidel Castro e Che Guevara como figuras mais populares, influentes e carismáticas do que Estenssoro. 

Estenssoro era o principal líder do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário).
Sebastián (Gael García Bernal) e Costa (Luís Tosar) verificam os bolivianos que desejam trabalhar no filme sobre Colombo. 'También la Lluvia' estabelece uma relação direta entre o antigo Colonialismo espanhol, dos séculos XV ao XIX, com o atual momento de expansão do Capitalismo Neoliberal pelo mundo. 

O governo revolucionário de Estenssoro (1952-1956) nacionalizou as minas de estanho, fez uma significativa reforma agrária e concedeu cidadania aos indígenas bolivianos, que representavam 80% da população. Seu governo contava com o apoio e a participação de forças operárias e de Esquerda, do COB (Central Operária Boliviana) e do trotskista 'Partido Operário Revolucionário'. 


Em 1985, Estenssoro voltou a se eleger Presidente, em um ambiente de profunda crise econômica e social, sendo que a Bolívia era assolada por altíssimas taxas de inflação, uma dívida externa imensa e elevados níveis de pobreza e de miséria. A expectativa, em função do seu passado político, é que Estenssoro adotaria políticas reformistas que beneficiariam a maioria da população. 

Mas não foi isso que aconteceu e no fim Estenssoro acabou adotando um programa econômico neoliberal que jamais teria sido aprovado pelos eleitores caso ele o tivesse defendido durante a campanha eleitoral. 

Assim, ainda antes de tomar posse, Estenssoro decidiu promover a adoção de políticas neoliberais radicais, que foram 'sugeridas' pelo FMI, por economistas neoliberais e pelo governo dos EUA. A ideia era impor uma 'terapia de choque' tão forte na economia que as pessoas ficariam atordoadas com as mudanças e, assim, não conseguiriam resistir à mesma. 
Bolivianos se candidatam a trabalhar como extras no filme sobre Colombo. A exploração da força de trabalho por colonizadores ou investidores externos caracterizam tanto o antigo Colonialismo, quanto o atual Neoliberalismo Global.  

Desta maneira, ele impôs um choque brutal na economia do país: arrocho salarial, abertura para produtos importados, privatizações, aumento de tarifas, fim dos subsídios aos alimentos, liberação dos preços, aumento de 300% no preço do combustível, cortes drásticos dos gastos públicos. 


Com isso, o custo social e econômico das medidas recaiu inteiramente sobre os trabalhadores e os mais pobres. 

Assim, os salários reais chegaram a diminuir 70% e a taxa de desemprego chegou a 30%. A renda dos camponeses bolivianos, em 1987, dois anos após a 'terapia de choque' ter sido adotada, era de US$ 140 anuais. Empregos de tempo integral e com direitos sociais e previdenciários foram substituídos por empregos precários, sem qualquer proteção. 

Tais medidas foram sugeridas por um economista estadunidense chamado Jeffrey Sachs, que sugeriu uma 'terapia de choque' para enterrar a hiperinflação no país (a inflação chegou a 14.000% em 1985), que havia sido gerada, principalmente, pela erradicação das plantações da folha de coca. 
Cena do filme sobre Colombo, mostrando os primeiros contatos entre os colonizadores espanhóis e os nativos 'indígenas'. A intensa exploração da força de trabalho e a promoção de massacres e ou repressão, estão presentes no antigo Colonialismo e no atual Neoliberalismo Globalizado. A violência usada por Paz Estenssoro, quando adotou as políticas neoliberais (em 1985), são um claro exemplo desta conexão. 

Até 1984, a economia da Bolívia era fortemente dependente do negócio da coca, que respondia por grande parte das exportações do país, mas a brutal repressão que o Exército promoveu contra as plantações de folha de coca (devido às pressões e exigências do governo de Ronald Reagan) gerou uma redução de 50% no valor das mesmas.


Isso levou a uma brutal desvalorização da moeda nacional e a uma explosão inflacionária, gerando um processo hiperinflacionário.

Para viabilizar tais medidas da 'terapia de choque', que acabaram sendo muito mais radicais do que o próprio Sachs defendia, Estenssoro manteve em segredo a elaboração das medidas, que eram ignoradas até mesmo pelos líderes do MNR. E para isso, ele também teve que dar as costas aos antigos movimentos sociais (sindicalistas, em especial) que o apoiaram desde a Revolução de 1952, bem como promoveu uma brutal repressão contra os mesmos. 

No fim, a adoção da 'terapia de choque' neoliberal levou a que centenas de milhares de bolivianos se voltassem para a plantação da folha de coca como meio de sobrevivência, apesar da forte repressão do governo à atividade. Em 1987, a exportação de drogas respondia por mais da metade das exportações do país. Foi isso que permitiu que os camponeses e o povo suportassem os efeitos sociais e econômicos brutais da 'terapia de choque'. 
Funcionários da Bechtel (empresa dos EUA) são expulsos por populares, pois queriam fechar os poços que a população havia cavado para poder captar a água da chuva e não depender mais da água fornecida pela empresa, que havia sofrido imensos reajustes. 

E para tornar possível tal 'terapia de choque', o governo de Estenssoro reprimiu brutalmente os movimentos sociais, que haviam promovido o início de uma greve geral e organizado inúmeras manifestações populares. Assim, Estenssoro chegou a decretar 'estado de sítio' e mandou o Exército reprimir as manifestações (qualquer semelhança com o governo de Temer não é mera coincidência). 


Estenssoro também proibiu qualquer manifestação ou passeata, e a Polícia passou a fazer batidas frequentes em universidades, sindicatos, estações de rádio, fábricas, bem como passou a atirar em manifestantes e grevistas. Assim, 1500 manifestantes foram presos, sendo que os 200 líderes sindicais mais importantes do país foram presos e levados para prisões remotas da Amazônia, onde ficaram totalmente isolados. E a libertação dos mesmos foi condicionada à não realização de greves e protestos por parte dos sindicatos. 

O 'estado de sítio' vigorou por 3 meses e, assim, a oposição política foi virtualmente banida na Bolívia que, na prática, virou uma Ditadura. 

O plano neoliberal radical que o governo de Estenssoro impôs à Bolívia mostrou que o mesmo somente poderia vingar se as liberdades democráticas fossem eliminadas e uma Ditadura fosse imposta ao país e seu povo. E assim foi feito. 
Daniel questiona o produtor espanhol (Costa) pelo fato de que o mesmo comemorou o fato de pagar apenas US$ 2 diários aos extras que trabalhavam no filme sobre Colombo. Depois, Costa acabou se desculpando por isso. 

Na década de 1990, um novo governo Neoliberal (de Gonzalo Sanchez de Lozada, que participou da implementação das políticas neoliberais do governo de Estenssoro) aprofundou as políticas favoráveis ao livre-mercado que Estenssoro havia imposto, de forma extremamente autoritária, promovendo a privatização desnacionalizante das principais estatais bolivianas (gás, ferrovias, petróleo, aviação, telecomunicações). 


A Guerra da Água!

A 'Guerra da Água' foi o nome que se deu a uma verdadeira rebelião popular que ocorreu em Cochabamba (terceira maior cidade boliviana, com cerca de 630 mil habitantes, localizada a leste da Cordilheira dos Andes). O conflito se desenvolveu durante todo o ano 2000 em Cochabamba, cidade que passa por um período de inverno extremamente seco. 

Na época, uma empresa multinacional dos EUA (Bechtel) comprou (em 1999) a empresa de tratamento de esgoto e abastecimento de água (SEMAPA). A privatização da empresa foi feita sob pressão do FMI e do Banco Mundial (dois organismos internacionais que são controlados pelos EUA e pela UE). 
Daniel lidera uma manifestação contra a privatização da água em Cochabamba. Sua participação intensa nas manifestações o levará a ser preso (junto com centenas de outros) pela Polícia. Afinal, num país Capitalista o Estado está a serviço dos interesses da Burguesia. 

Logo depois da aquisição da SEMAPA, a Bechtel elevou a tarifa de água em 100%, da noite para o dia. Isso desencadeou uma verdadeira insurreição popular na cidade, ainda mais depois que a empresa começou a tapar os poços que a população da cidade começou a cavar para guardar a água da chuva, pois o miserável povo boliviano não tinha dinheiro suficiente para pagar tão caro pela água.


Com isso, a população da cidade criou um órgão (Coordenador de Águas de Cochabamba) que passou a comandar as manifestações e protestos contra a medida tomada pela empresa dos EUA, que elevou os preços da tarifa de água com a conivência do governo boliviano. 

Gradualmente, as manifestações foram ganhando uma dimensão cada vez maior, mobilizando dezenas de milhares de pessoas, que eram violentamente reprimidas pela Polícia. 

Cochabamba se transformou, assim, em uma verdadeira praça de guerra. Mas a luta do povo da cidade foi mais do que recompensada, pois a empresa multinacional dos EUA (Bechtel) desistiu da concessão (que deveria durar 40 anos) e devolveu a empresa (SEMAPA) para o governo da cidade. 
Equipe de produção do filme sobre Colombo assiste, pela TV, aos conflitos que acontecem em Cochabamba, onde a Polícia reprime violentamente as manifestações populares. 

Logo, foi graças à união e luta povo de Cochabamba que foi possível derrotar aos interesses do Grande Capital, que desejava usar de um bem essencial à vida da população (a água) para lucrar cada vez mais às custas da miséria da imensa maioria da população.


Assim, a água voltou a pertencer à população da cidade.  

O filme sobre Colombo e o documentário sobre o mesmo: Filmes dentro do filme 'También la Lluvia'!

No filme, vemos o gradual e progressivo envolvimento da equipe de produção espanhola com os acontecimentos que ocorriam em Cochabamba, cidade na qual se realizavam as filmagens, que eram comandadas pelo diretor (Sebastián) e pelo produtor (Costa).

No início, a equipe de produção se concentrava apenas na realização do filme, pouco se importando com o que acontecia na cidade. Porém, a contratação de um jovem local (Daniel) para desempenhar um importante no filme acabou mudando toda a situação, pois ele também era um dos principais líderes das manifestações populares. 

Além disso, a jovem Maria, integrante da equipe de produção espanhola, que inicialmente estava fazendo um documentário sobre a realização do filme a respeito da chegada de Colombo, mudou o foco do seu trabalho e passou a filmar as manifestações populares que ocorrem na cidade contra a privatização e desnacionalização da água. 
População de Cochabamba bloqueou as principais ruas e avenidas da cidade. Conflito foi intenso entre Janeiro e Abril do ano 2000, quando finalmente a empresa Bechtel desistiu da concessão. 

Com isso, de forma gradual, os fatos que ocorriam na cidade acabaram afetando a produção do filme, pois a repressão do governo boliviano contra os manifestações foi bastante forte, transformando a cidade em uma verdadeira zona de guerra. Os manifestantes promoviam bloqueios de ruas e avenidas e reuniam um número cada vez maior de pessoas em seus protestos. 


Tudo isso acabou prejudicando a produção do filme, até porque o ator/líder (Daniel) acabou sendo preso pela Polícia. 

Para conseguir que o mesmo participasse de uma cena que era essencial para a realização do filme sobre a chegada de Colombo, o produtor (Costa) subornou o chefe de Polícia da cidade, permitindo que Daniel fosse liberado. Mas o acordo determinava que, após a realização da filmagem, Daniel voltaria a ser preso, o que gerou uma forte discussão entre Sebastián e Costa. 

A equipe de produção do filme sobre Colombo é recebida pelo governante da cidade, que é o responsável pela privatização dos servidos de água e esgoto. O mesmo usa de um discurso de total desprezo pelas manifestações populares, demonstrando claramente que defende os interesses da empresa ianque (Bechtel). 
Repressão policial contra as manifestações populares transformou Cochabamba em uma praça de guerra.

Assim, Sebastián e Costa vão se envolvendo cada vez mais com os acontecimentos e também com a família de Daniel, sendo que a esposa do mesmo (Teresa) pedindo a ajuda dos dois para encontrar a filha deles (Belén) e levá-la para um hospital, pois a garota tinha se ferido gravemente na manifestação.


O produtor (Costa), em especial, acaba se identificando com a luta do povo boliviano contra as medidas que a empresa multinacional havia tomado (aumento de tarifa e controle da água da chuva que caía nos poços) e contra a fortíssima repressão policial que se abateu contra os manifestantes. Logo, Costa irá ajudar Teresa, o que permitirá que esta encontre a filha (Belén) e leve a mesma para o hospital, salvando a vida da jovem.

Os membros da equipe espanhola finalmente conseguem sair da cidade, apesar de todo o caos em que a mesma mergulhara em função dos conflitos. E o produtor Costa recebe um presente de Daniel... um pouco de água.

Como afirmou Daniel no início do filme: Água é Vida!

Fim.
A cidade de Cochabamba, terceira maior da Bolívia, com cerca de 630 mil habitantes, onde tivemos a 'Guerra da Água'. 

Obs1:
O excepcional filme 'También la Lluvia' demonstra, de forma bem clara, o quanto um processo de privatização que atende apenas aos interesses do Grande Capital globalizado é extremamente prejudicial aos interesses da imensa maioria da população, principalmente dos trabalhadores e dos mais pobres. 


Neste sentido, o filme de Iciar Bollain é bastante didático sobre os efeitos da imposição das políticas neoliberais, privatizantes e desnacionalizantes, e deveria ser visto pela população brasileira pois, neste momento, o Brasil passa por um processo de implantação de um projeto Neoliberal e Entreguista (que foi derrotado em 4 eleições presidenciais consecutivas) que possui características semelhantes ao que foi imposto ao povo da cidade de Cochabamba. 

Informações Adicionais:

Título: También la Lluvia (A Chuva Também; Conflito das Águas);
Diretora: Iciar Bollain;
Roteiro: Paul Laverty;
País de Produção: Espanha; Duração: 103 minutos;
Ano de Produção: 2010; Gênero: Drama Político;
Música: Alberto Iglesias; Fotografia: Alex Catalán;
Elenco: Gael García Bernal (Sebastián); Luis Tosar (Costa); Juan Carlos Aduviri (Daniel/Atuey); Karra Elejalde (Antón/Colón); Raul Arévalo (Juan/Montesinos); Carlos Santos (Alberto/Las Casas); Cassandra Ciangherotti (Maria); Milena Soliz (Belén/Panuca); Leónidas Chiri (Teresa); Ezequiel Díaz (Bruno).
Prêmios: Melhor Filme Latino-Americano de 2011 (Ariel Awards, México); 
Festival de Berlim de 2011: Melhor Filme de Ficção da Mostra Panorama);
Goya Awards 2011: Melhor Ator Coadjuvante; Melhor Música Original; Melhor Direção de Produção.


Costa com a água que ganhou de presente de Daniel. 

Links:


Victor Paz Estenssoro:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2001/010607_estensoro.shtml

Água deve ser para os povos e não de empresa, diz líder da 'Guerra da Água':

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40513/agua+deve+ser+para+os+povos+e+nao+de+empresas+diz+lider+da+guerra+de+cochabamba.shtml

A privatização da água em Cochabamba:

https://www.ecodebate.com.br/2010/03/01/cochabamba-guerra-da-agua-completa-10-anos/

O que aconteceu na Bolívia (ano 2000) ocorre de forma ainda mais dura no Brasil:

https://www.brasildefato.com.br/2017/03/24/privatizacao-da-agua-o-que-aconteceu-na-bolivia-ocorre-aqui-com-maior-dureza/

Tese de Mestrado: A Guerra da Água em Cochabamba:

http://revista.fct.unesp.br/index.php/nera/article/view/3998

Bolívia - Breve histórico do Neoliberalismo:

http://operamundi.uol.com.br/blog/samuel/agora/bolivia-1995-breve-historico-do-neoliberalismo/
Manifestação popular na época da 'Guerra da Água', em Cochabamba.  

Trailer do Filme:


domingo, 8 de outubro de 2017

'O Jovem Karl Marx': Filme imperdível para quem deseja conhecer as origens do movimento operário de inspiração marxista! - Marcos Doniseti!

'O Jovem Karl Marx': Filme imperdível para quem deseja conhecer as origens do movimento operário de inspiração marxista! - Marcos Doniseti!
O excelente filme 'O Jovem Karl Marx' mostra as origens do movimento operário de inspiração marxista, nos cincos anos anteriores à elaboração do 'Manifesto Comunista' (1843-1848). 

Assisti ao filme 'O Jovem Karl Marx' e gostei muito, pois é uma produção realista e caprichada, que mostra o contexto político, social e histórico no qual Marx e Engels começaram a agir politicamente no sentido de conscientizar, organizar e mobilizar os trabalhadores na luta contra a exploração capitalista. 


Na época que é mostrada no filme (1842-1848) a Europa vivia uma fase de industrialização acelerada, mas que combinava isso com um grande aumento da concentração de renda, das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria, sendo que os trabalhadores eram brutalmente explorados pelos capitalistas. 

E os governos europeus (dos quais uma grande parte eram Absolutistas) ainda tratavam as questões sociais com o uso da violência. Nem mesmo os movimentos liberais-burgueses eram poupados dessa repressão. Em 1848 tivemos, inclusive, o estouro de uma Revolução que atingiu grande parte do continente europeu (França, Itália, Alemanha, Polônia). Foi a chamada 'Primavera dos Povos'. 

O filme mostra o período imediatamente anterior à elaboração do 'Manifesto Comunista' (que foi publicado em Fevereiro de 1848, na mesma época em que ocorreu a chamada 'Primavera dos Povos'), por Karl Marx e Friedrich Engels, bem como a criação da primeira 'Liga Comunista'. 
Engels, Marx e as filhas deste último.
A 'Liga Comunista' surgiu a partir da antiga 'Liga dos Justos', que era fortemente influenciada pelas concepções jacobinas de luta política e revolucionária, estando muito ligadas às concepções da época da Revolução Francesa.

O filme também mostra como Marx e Engels se conheceram (na época em que Marx colaborou com o jornal 'A Gazeta Renana'), ficaram amigos e passaram a atuar politicamente. Na época em que colaborava com o jornal 'A Gazeta Renana' (jornal de tendência liberal-burguesa) Marx acabou sendo preso e perseguido pelo governo alemão, pois as suas críticas incomodavam o reacionário e absolutista governo do país. 


Assim, ele é obrigado a ir embora da Alemanha, indo morar em Paris, onde dará continuidade às suas atividades políticas e intelectuais revolucionárias. Aliás, isso é algo que deve ser ressaltado: Para Karl Marx a atuação política e a sua produção intelectual eram inseparáveis. Ele colocou o seu gênio criativo, sua vasta erudição e seu talento incomparável à serviço dos trabalhadores. Posteriormente, Marx foi obrigado, também, a ir embora da França, devido às pressões do governo prussiano sobre o governo francês. 
Manchester, em plena época da Revolução Industrial, com suas indústrias poluentes, nas quais os trabalhadores eram brutalmente explorados. 
Depois, quando já faziam parte da 'Liga dos Justos', Marx e Engels conseguiram convencer os trabalhadores que faziam parte da organização de que aquela história de que seria possível construir um mundo justo, no qual 'todos seriam irmãos', e sem exploração apelando apenas para a razão e para os bons sentimentos da burguesia era uma asneira monumental.

Marx e Engels falam para os trabalhadores da 'Liga dos Justos' (que possui algumas centenas de membros espalhados por vários países da Europa: França, Suíça, Inglaterra, Alemanha) que não havia fraternidade alguma entre a burguesia e o proletariado. 


Igualdade, então, nem pensar.

Marx e Engels dizem para os trabalhadores da organização que apenas com o desenvolvimento de uma luta política revolucionária promovida pelos trabalhadores, que destruísse o Capitalismo, é que seria possível eliminar a exploração do homem pelo homem e construir uma sociedade humanizada, justa e igualitária.

As operárias que trabalhavam nas indústrias do pai de Engels e que viviam em uma miséria brutal. 
O filme também mostra que, no início, existia uma certa desconfiança entre Marx e Engels (dois jovens intelectuais brilhantes), principalmente por parte de Marx, que via Engels como um jovem fútil e boa vida (um 'Dândi', como se dizia na época). 

Porém, o filme é justo com a importância de Engels em suas contribuições para o pensamento marxista, mostrando que foi o filho do rico industrial alemão que disse para Marx que ele deveria estudar as obras dos economistas ingleses (David Ricardo, Adam Smith e Jeremy Bentham). 

Afinal, Engels era filho de um rico e insensível industrial alemão que era sócio de várias indústrias na Inglaterra e que explorava os trabalhadores de suas indústrias de forma cruel. Engels se rebelou contra isso e acabou vivendo com uma das operárias exploradas por seu pai (Mary Burns). Além disso, ele escreveu um trabalho brilhante a respeito da situação dos operários ingleses ('A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra') que foi elogiado por Marx, que o considerou como sendo um trabalho colossal. 
Marx e Jenny assistem a um discurso proferido por Proudhon. 

Aliás, é ressaltado no filme a importância das mulheres dos dois revolucionários alemães. As esposas de Marx (Jenny) e de Engels (Mary Burns) tem, sim, uma atuação política e intelectual. Elas ajudam e estimulam seus maridos, participam das reuniões da 'Liga dos Justos'. Jenny chega a dizer para Engels que ela é uma revolucionária que deseja destruir o velho mundo, fazendo com que Engels dissesse que ela era uma mulher extraordinária. 

Inclusive, em um diálogo travado entre a aristocrática germânica Jenny e a operária irlandesa Mary Burns fica bastante evidente as inúmeras diferenças de valores e comportamento das duas, que são originárias de dois mundos totalmente diferentes. Jenny fica perplexa quando Mary lhe diz que não quer ter filhos, mas que o marido (Engels) poderá engravidar a sua irmã. E quando percebe a perplexidade de Jenny, a mulher de Engels ainda pergunta se ela disse algo errado... 

Em outro momento, quando Marx hesita em deixar Jenny e a empregada sozinhas com os filhos, em Paris, e viajar para a Inglaterra, Jenny é que o convence a ir até lá se encontrar com os líderes da 'Liga dos Justos'. 
Proudhon, Bakunin, Jenny e Marx.

Enquanto isso, foi Mary Burns quem levou Engels para conhecer a vida dos miseráveis operários ingleses, o que permitiu que Engels escrevesse 'A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra'. 


No filme vemos, também, as polêmicas que Marx travou com o anarquista francês Proudhon (cujas ideias eram consideradas como sendo muito abstratas por Marx e Engels), com o russo Bakunin (que admitia que Proudhon defendia algumas ideias equivocadas) e com o importante líder socialista utópico cristão Wilhelm Weitling, que se inspirava na Bíblia e numa visão muito pessoal de Jesus Cristo para defender a construção de uma sociedade justa, harmoniosa e igualitária.

Weitling era muito popular entre os trabalhadores que integravam a 'Liga dos Justos', mas isso não intimidou Marx, que o confrontou, mostrando que suas concepções de um Socialismo inspirado no Cristianismo eram utópicas e ilusórias. Apesar disso, a importância de Weitling não deve deixar de ser reconhecida, sendo que ele foi considerado por Engels como sendo o fundador do Comunismo na Alemanha.
Jenny, esposa de Marx, era uma revolucionária que desejava destruir o velho mundo, de exploração e miséria, e construir um novo, de justiça e igualdade. 

Marx e as dificuldades econômicas que enfrentava para manter a sua família também são mostradas no filme. Nos momentos de aperto financeiro, Engels o socorria, embora Marx sempre tentasse trabalhar de maneira a não depender do amigo para pagar as contas, mas nem sempre ele conseguia. 


Um dos melhores momentos do filme ocorre quando Engels apresenta, para Marx, um grande industrial amigo do seu pai, e Marx o questiona a respeito da exploração das crianças em suas fábricas. O capitalista afirma que os seus produtos ficarão mais caros do que os dos concorrentes se ele não explorar as crianças. Assim, é a exploração da força de trabalho que está na base da acumulação capitalista. 

O filme também mostra que Marx e Engels confrontaram a sociedade burguesa da época não apenas no aspecto político e ideológico, mas também em suas vidas pessoais. 

Afinal, Marx se casou com uma jovem aristocrata (Jenny), enquanto que Engels acabou se casando com uma miserável operária irlandesa (Mary Burns). E ambas contribuíram no trabalho dos dois quando eles estavam escrevendo o 'Manifesto Comunista'. 
Weitling foi um dos principais líderes da 'Liga dos Justos', mas foi derrotado por Marx e Engels nos debates travados na mesma. 

Sempre que Marx participava de debates e discussões com outros líderes da 'Liga dos Justos' ele não hesitava em apontar as falhas no pensamento dos mesmos, o que os irritava profundamente (caso de Weitling). 


Marx era um polemista brilhante e implacável e Engels era um excelente orador, o que é destacado no filme. Desta maneira, a ruptura de Marx e Engels com vários destes antigos líderes da 'Liga dos Justos' tornou-se inevitável. E Weitling acabou saindo da 'Liga' e, mais adiante, foi morar nos EUA. 

Logo, após muitos debates e discussões, Marx e Engels conseguiram o apoio da maioria dos integrantes da 'Liga dos Justos' que, desta maneira, se transformou na 'Liga Comunista'. Com isso, o lema da organização foi modificado da afirmação liberal iluminista de que 'Todos os homens são irmãos' para o marxista 'Proletários de todo o Mundo, Uni-vos'. 
Uma fábrica de tecidos inglesa do século XIX, na qual as mulheres e as crianças eram brutalmente exploradas. 

E com a publicação do 'Manifesto Comunista' (que foi encomendado pela 'Liga dos Justos' para Marx e Engels)', em Fevereiro de 1848, temos o encerramento do filme. 


E a história da Humanidade nunca mais foi a mesma. 

Obs1: O filme já não está mais disponível no Youtube para ser visto e não foi lançado no Brasil para ser exibido nas salas de cinema. Quem sabe alguma distribuidora o lance em DVD em breve. Caso contrário os brasileiros ficarão sem poder ver esse ótimo filme, infelizmente. Ou então terão que apelar para os famosos torrents. 

Mas recomendo que procurem assistir ao filme, de um jeito ou de outro.

É imperdível.
Os líderes da 'Liga dos Justos' conversam com Marx e Engels. 

Frases e diálogos retirados do filme (essa seleção eu peguei na página do filme no site 'Filmow'. Não é de minha autoria):


- "No início de 1843 a Europa está dominada por monarquias absolutas e numa situação de escassez, crises institucionais e econômicas. Está à beira de mudanças profundas. Na Inglaterra a revolução industrial perturba a ordem mundial e cria a nova classe dos proletários. Em todos os lugares surgem organizações de trabalhadores fundadas na noção comunista de uma sociedade na qual todos os homens são irmãos. Dois jovens alemães vão abalar as concepções utópicas destas organizações, transformando sua luta ... e o futuro do mundo."

- "Até agora, os filósofos limitaram-se a interpretar. Interpretam o mundo. Porém, o mundo deve ser transformado.".

- "O verdadeiro preço de tudo o que um bem realmente vale àquele que quer adquiri-lo é o trabalho e a dificuldade de adquiri-lo".
Engels comemora a mudança de nome da 'Liga dos Justos' para 'Liga Comunista', com o novo lema 'Proletários de todo o Mundo, Uni-vos'. 

- "O verdadeiro valor de um bem para aquele que o adquiriu, e para aquele que o vendeu ou trocou por outra coisa, é o trabalho ou os problemas que poderá poupar a ele mesmo e que pode impor a outra pessoa."

- "O trabalho foi o primeiro preço. O dinheiro de compra original, que foi pago por todas as coisas.".

- "Sem revolta não há felicidade. Revolta contra a ordem existente, contra o mundo velho. É nisso que acredito.".

- "O que acha do Rafael, do Da Vinci e do Michelangelo?
- Rejeito todos. A arte do futuro vai ser coletiva e para o coletivo.".
Durante a conversa entre a aristocrática Jenny e a operária Mary Burns fica claro que elas possuem valores e formas de comportamento completamente diferentes. 

- "O ponto essencial é a mercadoria. O trabalho, o seu trabalho é uma mercadoria. Vocês vendem a sua força de trabalho para o patrão como se fosse uma mercadoria. Porém, vocês não são livres, são obrigados a vendê-la para conseguirem viver. E a vendem por um preço baixo! Sempre existirão patrões e operários! 

- Sempre existirão patrões e operários!
- Não, nem sempre! Dizer que "sempre haverá" é uma ideia burguesa. É o que o capital quer que pensemos, mas tudo muda. Tudo está sujeito a alterações. Nada é eterno. Todas as relações sociais escravidão, servidão, salariato são históricas e transitórias. Na verdade, as condições atuais têm de mudar. O burguês é sempre livre para usar o trabalho e o trabalhador é sempre obrigado a vendê-lo. O burguês adora falar de liberdade, mas a liberdade é apenas para eles, não é para vocês, como bem sabem. Vocês sentem isso na pele, todos os dias, dia após dia! Assim sendo, não é um jogo justo. Isto é óbvio. Está manipulado.".
Marx, Jenny e Engels debatem com um capitalista, que explora o trabalho infantil em suas fábricas. 

- "Creio que o importante é afirmar que o materialismo, tal como o concebemos, difere do materialismo burguês, já que ele visa uma sociedade humanizada.".


- "A crítica devora tudo o que existe. E quando não tem mais nada, ela devora a si mesma.".

- "Provavelmente, há aqui pessoas que choram, quando ouvem as palavras bondade, amabilidade e fraternidade. Mas as lágrimas não dão poder, o poder não derrama lágrimas. A burguesia não é amável com vocês e não vão conquistá-la com bondade.".
Engels tenta convencer Marx a elaborar um programa para a 'Liga Comunista'. A elaboração de programas, panfletos e manifestos era uma tradição europeia que já vinha de longa data. 

- "A burguesia e os trabalhadores são irmãos? 

- Não, não são. Eles são inimigos.".

- "O antagonismo entre o proletariado e a burguesia só pode conduzir a uma revolução total. E enquanto houver classes, a última palavra da ciência social será sempre, tal como George Sand disse, a luta ou a morte, o combate sangrento ou o nada."

- "A revolução industrial criou o escravo moderno, este escravo é o proletariado, que ao se libertar, liberta toda a humanidade, e essa liberdade tem um nome: Comunismo.".

- "Um espectro assombra a Europa, é o espectro do comunismo.Todos os poderes da velha Europa uniram-se numa santa aliança para exorcizar este espectro.".
Marx e Engels elaboram o 'Manifesto Comunista', processo que conta com a participação de Mary Burns e de Jenny. 

- "A história de todas as sociedades até nossa época tem sido a história das lutas de classes. A sociedade burguesa divide-se cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado. A burguesia fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e substituiu as diversas liberdades conquistadas com tanto esforço pela única e implacável liberdade do comércio e do lucro. Ela rasgou o véu de emoção sentimental que cobria as relações familiares, reduzindo-as a simples relações monetárias. Ela afogou os mais celestiais êxtases de fervor religioso, do sentimentalismo filisteu, nas águas geladas do cálculo egoísta.".


- "As crises comerciais, com a sua periodicidade, ameaçam cada vez mais a sociedade burguesa. Impelida pela constante necessidade de novos mercados, a burguesia invade todo o globo. E assim se desenvolve uma burguesia comercial generalizada e uma interdependência generalizada das nações.".

- "A burguesia moderna se assemelha a um feiticeiro que já não sabe como controlar os poderes infernais que invocou.".

- "As armas de que a burguesia usou para derrubar o feudalismo, voltam-se contra ela.".
No fim, o filme de Raoul Peck mostra cenas de alguns dos principais acontecimentos dos séculos XX e XXI, procurando relacionar o pensamento de Marx e Engels com a realidade atual. 

Informações Adicionais:


Título: 'Le Jeune Karl Marx' (O Jovem Karl Marx);
Diretor: Raoul Peck;
Roteiro: Raoul Peck e Pascal Bonitzer; 
Duração: 118 minutos; Gênero: Drama histórico; 
Fotografia: Kolja Brandt; Música: Alexei Aigui;
Elenco: August Diehl (Karl Marx); Stefan Konarske (Friedrich Engels); Hannah Steele (Mary Burns); Vicky Krieps (Jenny von Westphalen); Olivier Gourmet (Pierre Proudhon); Alexander Scheer (Wilhelm Weitling); Ivan Franek (Bakunin); Marie Meinzenbach (Lenchen); Niels-Bruno Schmidt (Karl Grun).

Links:

O Jovem Karl Marx: Um filme para se ver e discutir:

http://jornalggn.com.br/blog/ion-de-andrade/o-jovem-karl-marx-um-filme-para-ver-e-discutir-por-ion-de-andrade

Fevereiro de 1848: Marx e Engels publicam o Manifesto Comunista:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/2984/conteudo+opera.shtml

Pierre-Joseph Proudhon:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/19271/hoje+na+historia+1865+-+morre+pierre-joseph+proudhon+principal+teorico+do+anarquismo.shtml

Mary e Lizzy Burns:

https://gz.diarioliberdade.org/mundo/item/141759-mary-e-lizzy-burns.html

A 'Liga dos Proscritos' e a 'Liga dos Justos':

http://mundodosocialismo.blogspot.com.br/2012/01/liga-dos-proscritos-e-liga-dos-justos.html

'O Jovem Marx': Algumas observações sobre o filme:

https://www.correiodobrasil.com.br/jovem-marx-a

Os anos rebeldes de Marx na capital da modernidade:

https://ocafezinho.com/2016/12/30/rogerio-bitarelli-medeiros-o-jovem-marx-ganha-as-telas-do-cinema/

Trailer do Filme: