sábado, 27 de agosto de 2011

Argentina e suas mulheres que escrevem, e escrevem bem - por Eric Nepomuceno!

Argentina e suas mulheres que escrevem, e escrevem bem- por Eric Nepomuceno, da Carta Maior

É mais que hora de lembrar que há também mulheres de altíssimo nível na literatura argentina contemporânea, e que, a exemplo dos homens, elas se sucedem gerações afora sem perder brilho e capacidade de renovação. De nomes consagrados há décadas, como a contista Silvina Ocampo (foto) e a delicada e trágica poeta que foi Alfonsina Stormi, também elas, as autoras, souberam nos legar uma obra de primeira grandeza.

A literatura argentina contemporânea – entendendo-se por contemporânea a que vem da primeira metade do século XX e continua por aqui – ofereceu ao mundo obras de peso indiscutível. Começando pelos grandes ícones que conquistaram leitores mundo afora, com Jorge Luís Borges e Julio Cortázar na linha de frente, o desfile de nomes é sonoro, consistente, rigoroso. Basta lembrar Adolfo Bioy Casares , Héctor Tizón, Juan José Saer, David Viñas, Daniel Moyano, Antonio di Benedetto, passando por gerações que vieram depois, como as de Tomás Eloy Martínez, Ricardo Piglia, Mempo Giardinelli e Rodolfo Rabanal, e a lista prossegue vigorosa até os autores ainda mais novos, como Juan Forn ou Alan Pauls. É claro que deixei de fora um polpudo punhado de nomes. Quero observar um detalhe: só mencionei autores, todos eles indiscutíveis.

Pois é mais que hora de lembrar que há também mulheres de altíssimo nível, e que, a exemplo dos homens, elas se sucedem gerações afora sem perder brilho e capacidade de renovação. De nomes consagrados há décadas, como a contista Silvina Ocampo e a delicada e trágica poeta que foi Alfonsina Stormi, também elas, as autoras, souberam nos legar uma obra de primeira grandeza. É preciso destacar isso com urgência. Ao longo das últimas muitas décadas vêm deixando sua marca na literatura argentina autoras como Luisa Valenzuela, Angélica Gorodischer, uma poeta de surpreendente beleza e invenção chamada Alejandra Pizanik (que, como Alfonsina, teve um final trágico), Maria Helena Walsh (com destaque para sua obra voltada para o público infanto-juvenil), e, chegando mais perto no tempo, Ana María Shua, Claudia Piñeiro, Lucia Puenzo, Florencia Abbate, Paula Bombara e seu surpreendente ‘El mar y la serpiente’, numa mescla de gerações que impressiona não só pela quantidade de boas autoras como no número de novos nomes que surgem com obras de qualidade.

Observo, de novo, um detalhe: deixei de fora muitos nomes indiscutíveis. Nomes de autoras formidáveis, e não apenas nomes de autores respeitáveis. Elas brilham com luz própria e potente, e são cada vez mais.

Há coisa de dois anos passei a prestar atenção no aluvião de escritoras lançando livros, obtendo críticas positivas e conquistando um público crescente. Mergulhei em vários desses livros, e não parei de levar surpresas cada vez mais gratas.

Quero mencionar duas delas, cada uma em uma vertente do ofício de escrever. A primeira se chama Laura Meradi, e é autora de uma novela muito boa e comovedora, ‘Tu mano izquierda’, que a Alfaguara editou em 2009. Foi o primeiro livro que escreveu, e impactou pelo manejo da difícil carpintaria da escrita. Mas foi com outro livro – uma vasta reportagem, chamada ‘Alta rotación’ – que chamou a atenção do público para o seu nome. Muito jovem (tinha 25 anos), ela passou um ano fazendo todo tipo de trabalho possível, no mercado, para os argentinos da sua idade: vendeu cartões de crédito para população de baixa renda, trabalhou como atendente de telemarketing em inglês (mal falando inglês), foi caixa de supermercado, garçonete num MacDonalds, garçonete num pub de bairro da moda, a Recoleta. Mostrou, de novo, que efetivamente sabe escrever bem e que tem uma sensibilidade aguda.

A outra autora que menciono é Samanta Schweblin, e é contista. Seu livro de estréia, ‘El núcleo del disturbio’, de 2001 (quando ela tinha 23 anos), foi um susto. Levou prêmios importantes e deixou no ar uma incógnita: sendo tão jovem, seria ela capaz de manter o mesmo nível num segundo livro? Pois aí veio ‘Pájaros en la boca’, em 2009, e a incógnita virou outro susto ainda maior: ela não só manteve o nível, mas superou-o com folga. Levou o prêmio Casa de las Américas, foi traduzida a meia dúzia de idiomas, e assumiu de vez o papel de uma das principais contistas contemporâneas em castelhano. Contos como ‘Papá Noel duerme en casa’ ou ‘Perdiendo velocidad’ bem que deveriam despertar sólida inveja em autores calejados.

Poderia mencionar mais nomes. Deveria. Mas o que importa entender, de uma vez por todas, é que a Argentina é, sim, um país de grandes, imensos escritores. Mas também é um país de grandes, imensas escritoras, e nas gerações mais novas são elas que dão o rumo e conduzem o barco na aventura de navegar pelo revolto mar das letras.

Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18333

sábado, 13 de agosto de 2011

José Simão: "Com a queda das bolsas, melhor investir em sapatos"!

José Simão: América! O cartão estourou!



Com a craise americana, prefiro investir em cintos. Cinto muito, mas suas ações despencaram. Rarará!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E olha essa placa na praça da Árvore, aqui em Sampa: "Cuida-se de crianças! Desde que não seja mal-educada, corintiana ou que goste de samba". Rarará!

E encontrei o pai do ano: o jornalista desportivo argentino Walter Rotundo, que batizou as duas filhas gêmeas de Mara e Dona! Isso é coisa que se faça com as filhas? Se eu tivesse gêmeos, eu ia botar: Ká e Ká!

E essa expressão "zona do euro" tá errada. Porque o euro tá uma zona! E a crise americana? E o Buraco Obama? A craise tá crazy! Americanos em baixa!

Pedi um americano na padoca e veio sem ovo! Rarará! E o discurso do Obama em Wisconsin? Conclusão: acabou o dinheiro, o cartão estourou! Resumo da crise: O CARTÃO ESTOUROU!

E a placa no portão da Casa Branca: "Alugo quartos para estudantes, solteiros, republicanos, mexicanos, CORINTIANOS E IRANIANOS". Rarará! E a Bolsa? A Bolsa Ioiô! Como disse uma amiga: "Com a queda das bolsas, melhor investir em sapatos".

Mas eu prefiro investir em cintos. Cinto muito, mas suas ações despencaram. Rarará!

E eu já disse que os Estados Unidos viraram um país socialista: querem socializar os prejuízos com o resto do mundo!

E eu tenho a foto de um americano fantasiado de Tio Sam jogado na calçada e com o cartaz: "I want you! Pra me emprestar US$ 12 trilhões".

E a novela "Insensato Coração"! Insensato não é o coração. Insensato é o autor. Não é possível! Eu tô apaixonado por Natalie, Douglas, Bibi e a biba que grta: "SUGAR"!

E adorei a charge do Salvador: "Prenderam algum ministério hoje?". Não se prende mais ministro, agora prende logo o ministério!

E essa: "Americanos fazem fila pra pegar greencard brasileiro". E o site Sensacionalista: "Golpe do Baú! Obama deixa Michelle e pede Dilma em casamento". Rarará!

E eu estava no México na Semana Santa quando um americano me disse: "My boss is Brazilian! Meu patrão é brasileiro". Aí falei: "Mas não devia ser o contrário, como sempre? Patrão americano e funcionário brasileiro?". Resposta: "Não, porque os Estados Unidos estão indo pra baixo e o Brasil tá bombando". "Brazil is booming!", foi o que ele me disse! Ueba!

Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

 Link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1308201102.htm

Nasa acha 'receita de DNA' em meteoritos!

Nasa acha 'receita de DNA' em meteoritos

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Um estudo sobre a origem dos componentes básicos do DNA e do RNA, as moléculas que são a base genética dos seres vivos, revelou que eles podem ter chegado à Terra dentro de rochas espaciais.

A descoberta, anunciada nesta semana pela Nasa e pela Instituição Carnegie de Washington, foi a conclusão de uma pesquisa que analisou 12 meteoritos encontrados na Antártida e na Austrália.

Dentro deles foram encontrados sete tipos diferentes de bases nitrogenadas, blocos moleculares do mesmo tipo daqueles que formam o DNA.

Duas dessas substâncias são idênticas àquelas encontradas no maquinário genético de seres vivos, a adenina e a guanina (o A e o G das letras que representam a sequência do DNA).

Encontrar adenina e guanina em meteoritos não é tão difícil. Mas ainda não existia prova de que vêm mesmo de carona nessas rochas que caem do espaço.

Como a vida terrestre hoje sintetiza bases nitrogenadas em abundância, é possível que nosso planeta tenha "contaminado" os meteoritos assim que tocaram o chão.

As outras cinco moléculas encontradas pela nova pesquisa, porém, são de tipos "raros", que não existem dentro de seres vivos, e estavam em concentração relativamente grande.

"Isso nos deu confiança de que estávamos olhando para o produto de uma reação química ocorrida na formação dos meteoritos, e não para o resultado de contaminação terrestre", disse à Folha o geoquímico Michael Callahan, do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa, na periferia de Washington, onde as análises foram feitas.

DESCRIÇÃO INÉDITA
 
"Eu procurei na literatura científica a ocorrência dessas moléculas em minerais terrestres comuns, e elas não apareceram", conta Callahan.

"Uma das moléculas, uma diaminopurina, é capaz de inibir a transcrição [transmissão de informação] do DNA. Se você interrompe a transcrição, você barra a produção de proteínas e impede a ocorrência de vida.

Então, seria contraintuitivo achar essa moléculas numa estrutura biológica", completa.
Para reforçar a conclusão, os cientistas compararam os meteoritos com amostras de solo onde eles foram coletados. As bases nitrogenadas do tipo "extraterrestre" não estavam presentes.

Ao misturar hidrogênio com cianetos, moléculas com carbono e nitrogênio na ponta, Callahan e sua equipe conseguiram produzir, em laboratório, exatamente o mesmo conjunto de moléculas encontrado no asteroide.

Como formas de cianeto são relativamente abundantes no espaço, os cientistas acreditam ter encontrado o primeiro passo da receita para produzir DNA e RNA numa época em que a vida ainda estava por surgir na Terra.

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/959212-nasa-acha-receita-de-dna-em-meteoritos.shtml

Africa for USA: artistas africanos se mobilizam para ajudar os EUA

Africa for USA: artistas africanos se mobilizam para ajudar os EUA - do Sensacionalista



Quem não lembra da canção “we are the world” que reuniu dezenas de astros na década de 80 no projeto USA for Africa? Mas agora parece que a situação se inverteu: com a crise econômica.

Com o dinheiro arrecadado com o projeto os músicos da África pretendem ajudar Barack Obama a tirar os EUA do buraco.

No Brasil, uma famosa rede de fast-food americana está recebendo em suas lojas doações que serão enviadas diretamente para os Estados Unidos: “pedimos que nos mandem doações em Real, porque o dólar não tá valendo nada”, declarou Ronald Sanders, responsável pelo projeto.

Leonardo Lanna

Link:
http://www.sensacionalista.com.br/2011/08/10/africa-for-usa-artistas-africanos-se-mobilizam-para-ajudar-os-eua/

Encontrado anel de antimatéria ao redor da Terra!

Encontrado anel de antimatéria ao redor da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/08/2011

Foguetes do futuro

A Terra possui ao seu redor um anel de antiprótons, confinados pelas linhas do campo magnético do nosso planeta.

Essa antimatéria, que pode persistir por períodos que vão desde alguns minutos até horas, antes de se aniquilar com a matéria normal na atmosfera, poderia ser usada para abastecer os foguetes ultra-eficientes do futuro.

A Terra é constantemente bombardeada por raios cósmicos vindo do espaço que, ao chegar, criam uma chuva de novas partículas conforme eles colidem com as partículas de matéria ao se aproximar do planeta.

E essa chuva de partículas contém antipartículas.

Muitas delas ficam presas dentro dos cinturões de radiação de Van Allen, duas zonas com formato de grossos anéis ao redor do planeta, onde as partículas carregadas espiralam ao redor das linhas do campo magnético da Terra.

Pósitrons e antiprótons

Satélites artificiais já haviam detectado pósitrons - os equivalentes de antimatéria dos elétrons - no cinturão de radiação.

Agora, uma sonda detectou antiprótons, que têm uma massa 2.000 vezes maior do que os pósitrons.

Partículas mais pesadas tomam rotas mais abertas quando espiralam em torno das linhas magnéticas do planeta - linhas mais fracas do campo magnético também geram espirais mais largas.

Assim, os antiprótons relativamente pesados, ao viajar ao redor das fracas linhas magnéticas do cinturão externo de radiação, devem seguir loops tão grandes que são rapidamente puxados para a atmosfera, onde se aniquilam com a matéria normal.

Mas se acreditava que o cinturão interno teria campos fortes o suficiente para capturar os antiprótons - e, na verdade, foi justamente aí que eles agora foram encontrados.

Encontrado anel de antimatéria ao redor da Terra
O detector Pamela está a bordo de um satélite russo de observações, em uma órbita entre 350 e 600 km de altitude. [Imagem: Pamela Project]
 
Bilhões de partículas de antimatéria

Piergiorgio Picozza e seus colegas da Universidade de Roma, na Itália, detectaram a antiprótons usando o PAMELA, um detector de raios cósmicos italiano que está no espaço, a bordo de um satélite russo de observação da Terra.

A sonda voa através do cinturão interno de radiação da Terra, em uma posição diretamente acima do Atlântico Sul.

Entre julho de 2006 e dezembro de 2008, o PAMELA detectou 28 antiprótons presos em órbitas espirais em torno das linhas do campo magnético que brotam do pólo sul da Terra.

Se parece pouco, é importante lembrar que o PAMELA captura amostras em uma parte quase desprezível do cinturão interno de radiação - o equivalente à área de seus sensores. Extrapolando os resultados para toda a área ao redor da Terra, os cientistas calculam que há um bocado de antimatéria girando continuamente ao nosso redor.

"Estamos falando de bilhões de partículas", afirmou Francesco Cafagna, da Universidade de Bari, na Itália.

Essa armadilha de antimatéria natural não é muito diferente das armadilhas de antimatéria que os físicos estão construindo nos laboratórios aqui embaixo.
Foguetes de antimatéria

Alessandro Bruno, outro membro da equipe, afirma que essa antimatéria presa nos cinturões de radiação da Terra poderá ser útil no futuro para abastecer naves espaciais.

Os foguetes poderiam ser alimentados pela reação entre matéria e antimatéria, uma reação que produz energia de forma muito mais eficiente do que a própria fusão nuclear que ocorre no núcleo das estrelas.

"Esta é a fonte mais abundante de antiprótons nas proximidades da Terra", diz Bruno. "Quem sabe, um dia uma nave espacial poderia ser lançada e, em seguida, reabastecer no cinturão de radiação interno, antes de viajar para mais longe."

E há vários postos de combustível de antimatéria pelo Sistema Solar: os anéis de radiação de todos os planetas contêm antiprótons.

Especialmente em planetas gigantes, como Saturno e Júpiter, deve haver um estoque de antimatéria milhões ou até bilhões de vezes maior do que o da Terra, o que alimenta as esperanças de viagens bem mais distantes.

Bibliografia:

The discovery of geomagnetically trapped cosmic-ray antiprotons
O. Adriani et al.
The Astrophysical Journal Letters
2011 Julho 27
Vol.: 737 2 L29
DOI: 10.1088/2041-8205/737/2/l29
http://arxiv.org/abs/1107.4882

Link:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=anel-antimateria-redor-terra&id=010830110808

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Gostava quando tudo era analógico, diz J.J. Abrams sobre "Super-8"!

Gostava quando tudo era analógico, diz J.J. Abrams sobre "Super-8"

VAGUINALDO MARINHEIRO
DE LONDRES

J.J. Abrams, 45, pode ser considerado mais um "nerd" que deu certo. De garoto não popular na escola, se tornou o criador de séries de enorme sucesso como "Lost" e "Alias".

Agora, ele volta ao cinema com "Super-8", que diz ser uma soma de suspense, comédia e história humana. "Como acontecia nos filmes de [Steven] Spielberg nos anos 70."

A menção a Spielberg não é gratuita. Ele é o produtor do filme e uma espécie de mentor do diretor.
J.J. conversou com a Folha e jornalistas europeus em Londres. Ele conta como começou a filmar, sobre a relação com o pai e sobre o cinema atual. "É muito difícil fazer filmes num momento como esse em que os filmes já nascem como blockbusters, mesmo que não tenham qualidade."


David Shankbone/Creative Commons
J.J. Abrams no baile de gala da revista "Time"; diretor fala sobre "Super-8", que estreia hoje
J.J. Abrams no baile de gala da revista "Time"; diretor fala sobre "Super-8", que estreia hoje  
 
Folha - Você era um adolescente que também gostava de super-8 [formato de filme em 8 milímetros]. Quão autobiográfico é o filme?
 
J.J. Abrams - Eu claramente sou o garoto gordinho, que gosta de fazer filmes. Ao mesmo tempo, não tenho muita segurança e era um pouco retraído como o Joel. Também gostava de explodir coisas. Então era um pouco de cada um dos três garotos do filme.

Como você começou a fazer filmes?
 
Eu tinha 8 anos quando visitei os estúdios da Universal. Vi como eram feitos os filmes e pensei que eu também poderia fazer. Na época, meu pai tinha uma câmera, o que facilitou as coisas.

Nunca fui o cara mais popular da escola, o mais esperto, então pensei que poderia me transformar em alguém se fizesse filmes. Eu participei de um festival com um desses filmetes e foi lá que eu conheci o [Steven] Spielberg.

Por falar nisso, como foi trabalhar com ele como produtor?
 
Foi excitante e ótimo. Ele tem um instinto inacreditável e ideias sensacionais. O envolvimento dele foi de total apoio.

"Super-8", com histórias mais humanas e estilo do cinema dos anos 70, é uma espécie de manifesto nestes tempos de filmes de super-herois em 3D?
 
Eu não sabia quando "Super-8" seria lançado. Não sabia se seria entre "Piratas do Caribe" e "Transformers", em meio a sequências e recomeços de histórias. É muito difícil fazer filmes num momento como esse em que os filmes já nascem como blockbusters, mesmo que não tenham qualidade.

Qual a inspiração para esse filme?
 
A primeira inspiração foi revisitar aquele época da minha vida, a adolescência, que foi realmente estranha, especial, pura, engraçada.

Aí, liguei para o Spielberg e disse: você quer fazer um filme chamado Super-8 que é sobre garotos querendo fazer filmes, da forma como eu e vocês queríamos? Ele topou.

Uma das coisas de que gosto naquele época é que tudo era analógico. Você tinha que esperar para ver o resultado das coisas. Não era apenas filmar e estava pronto. Era preciso mandar o filme revelar. E isso tomava tempo.

Você tinha também que editar fisicamente, cortando os pedaços dos filmes e remontando. Se queria colocar uma música, tinha que pegar sua bicicleta e ir até uma loja de discos para comprar um.

Hoje tudo mudou. Bastam cliques. Nem do dinheiro físico você precisa mais. Eu compro músicas que nunca ouço. Eu adora a era digital, mas sinto falta de muitas coisas, de muitas experiências, dos objetos físicos.

Ao ver "Super-8", é impossível não lembrar de "Conta Comigo" (filme de Rob Reiner, de 1986, que também mostra a transformação de adolescentes).
 
Eu não quis apenas refazer filmes como "ET" ou "Conta Comigo", mas fui influenciado, é claro. Há também outras influências, de cineastas europeus como Jean Vigo, [François] Truffaut. O Spielberg me falava: não haveria cinema americano sem esses filmes franceses, sem esse sentimentalismo, essa emoção.

Sentimentalismo tem sempre uma conotação negativa, mas não fico nem um pouco incomodado com isso.

Queria fazer um filme em que as crianças fossem apenas crianças.

Qual será a audiência para esse filme? Jovens? Adultos que eram adolescentes nos anos 70, época em que o filme se passa?
 
Não tenho ideia. A ambição desse filme é ser uma comédia, um drama familiar, um triller. Quis combinar isso tudo, como Spielberg fazia. Quero que as pessoas se identifiquem com os personagens e talvez chorem, se divirtam. É para todo mundo, para jovens, para pessoas com 40 anos.

Em seus filmes e séries de TV, sempre aparece a figura de um pai problemático. É algo que tem a ver com sua própria vida?

Eu e meu pai temos uma boa relação agora, mas quando eu era criança, era um pouco difícil. Porque, nos EUA, nos anos 70, os pais não se envolviam tanto nas criação dos filhos como hoje. Meu pai era o típico pai daquela época. Um pouco ausente.

Mas a história da relação do pai e filho neste filme é algo que eu sempre quis explorar. Sempre achei muito interessante essa ideia de alguém que perde a mãe, com quem tem afinidade, e acaba ficando com o pai, com quem precisa construir um relacionamento.


Por que vocês envolveram o filme em tanto segredo, até proibiram os atores de falar sobre o enredo?
 
Eu quero que as pessoas assistam ao filme como algo novo, não que saibam tudo sobre a produção, os atores etc. Prefiro que as pessoas tenham grandes expectativas do que já saibam de tudo.

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/958082-gostava-quando-tudo-era-analogico-diz-jj-abrams-sobre-super-8.shtml

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

'O Homem dos Olhos de Raios-X' é grande filme de Roger Corman!

'O Homem dos Olhos de Raios-X' é grande filme de Roger Corman



INÁCIO ARAUJO - CRÍTICO DA FOLHA


É claro que quando alguém diz que "O Homem dos Olhos de Raios-X" (TCM, 22h, 12 anos) é um dos maiores filmes de todos os tempos está procurando encrenca: é pequeno, com elenco desconhecido e trucagens pobres.

Como poderia ser tudo isso?

A resposta imediata é: trata-se de um filme de Roger Corman. O mago do filme "B" é capaz de tirar leite de pedra, como nesta ficção científica sobre um médico que descobre um método de ver além do que os outros podem ver.

Trata-se de uma atualização, mas muito aguda, da tragédia de Prometeu, que rouba o fogo sagrado para doá-lo aos humanos e acaba como acaba. Para resumir, o destino do médico não será tão diferente daquele do herói grego.

Grande filme.


Link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1108201106.htm

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Teoria dos Multiversos: dados não confirmam e nem descartam!

Teoria dos Multiversos: dados não confirmam e nem descartam

Redação do Site Inovação Tecnológica - 04/08/2011


Colisões entre universos
 
Se você observar o modelo do Big Bang, que procura explicar o surgimento do Universo, vai se deparar com a questão da "fronteira do universo", onde estariam os resquícios que primeiro se afastaram da explosão inicial.

Muitos físicos lidam com a questão falando não "do Universo", mas do "nosso universo". Para eles, existem inúmeros outros universos, cada um existindo dentro de sua própria "bolha cósmica".

Cada um desses universos poderá ter físicas distintas, ou seja, diferentes constantes fundamentais e diferentes leis da física.

Uma decorrência imediata dessa teoria é que as bolhas necessariamente tocam umas nas outras. E, se tocam, deve haver alguma forma de detectar sinais dessas "colisões universais".

Como procurar por outros universos

Agora, pela primeira vez, uma equipe de cientistas está tentando testar experimentalmente essa teoria.
Dois artigos publicados nas principais revistas de física do mundo detalharam propostas de como procurar assinaturas de outros universos, diferentes da ainda controversa teoria do fluxo escuro.

Os pesquisadores estão procurando padrões em formato de disco, que se formariam pelo contato entre duas bolhas.

Para eles, esses padrões deveriam aparecer na radiação cósmica de fundo, uma radiação na faixa de micro-ondas que permeia todo o universo, e que os cientistas acreditam ser o eco do Big Bang.

Além da dificuldade de rastrear todo o céu, é necessário identificar padrões em formato de disco e demonstrar que eles não são apenas padrões aleatórios, do tipo "você vê o quer ver se olhar tempo suficiente" para alguma coisa - lembre-se das figuras que se formam nas nuvens ou do "rosto" na superfície de Marte.

Uma equipe britânica acredita ter encontrado uma solução segura para fazer isso.

Marcas na radiação cósmica de fundo

"Procurar por marcas de colisão, de todos os raios possíveis, em qualquer lugar do céu, é um problema estatístico e computacional muito difícil," comenta o Dr. Hiranya Peiris, da Universidade College London. "Mas foi isto que capturou minha curiosidade."

Em vez de confiar nos facilmente enganáveis olhos humanos, eles desenvolveram um algoritmo com regras muito estritas, que procura padrões em uma imagem, eliminando aqueles que se devem ao mero acaso.

A imagem analisada é a da radiação cósmica de fundo, feita pela sonda espacial WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe), que fez o primeiro mapa do Universo primitivo.

Pistas não conclusivas

Os resultados não foram conclusivos: eles encontraram quatro possíveis sinais de colisão com outros universos, quatro formações esféricas no céu que, segundo seus modelos matemáticos, não podem ser atribuídos ao acaso.

Estatisticamente, os resultados não são consistentes o suficiente nem para confirmar a teoria dos multiversos e nem para descartá-la.

Mas, segundo eles, a sonda WMAP da NASA não é a última palavra em termos de radiação cósmica de fundo.

O telescópio espacial Planck, da agência espacial europeia, já está rastreando o céu, e deverá gerar um mapa muito mais preciso.

Os cientistas planejam esperar por esse mapa e então rodar seus programas sobre seus dados. Só então, afirmam eles, algo "definitivo" poderá ser dito sobre a teoria dos outros universos.

Existirão vidas em outros universos?

Bibliografia:

First Observational Tests of Eternal Inflation: Analysis Methods and WMAP 7-Year Results
Stephen M. Feeney, Matthew C. Johnson, Daniel J. Mortlock, Hiranya V. Peiris
Physical Review D
August, 2011
Vol.: Accepted paper

First observational tests of eternal inflation
Stephen M. Feeney, Matthew C. Johnson, Daniel J. Mortlock, Hiranya V. Peiris
Physical Review Letters
August, 2011
Vol.: Accepted paper

Link:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teoria-multiversos&id=010130110804

J.J. Abrams surpreende em sua estreia, com "Star Trek"!

J.J. Abrams surpreende em sua estreia, com "Star Trek"

INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA


Em sua estreia na direção para cinema, J.J. Abrams surpreendeu com "Star Trek" (TC Premium, 19h45, 12 anos). Ou seja, ele terá tido alguma influência no fato de o filme, em vez de seguir em frente, voltar às origens da série para tratar do momento em que Spock e Kirk, os heróis do seriado, se conhecem.

Com isso, "Star Trek" ganha a possibilidade de se explicar sobre a genealogia dos conflitos cósmicos que aborda, da mistura de espécies que desde sempre frequentam a série, das aventuras da nave Enterprise e até das relações entre os dois.

Entre tantas aventuras espalhafatosas, temos aqui o caso de uma que encontra sua solidez no desenvolvimento da trama e também dos personagens.

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0408201106.htm

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ignorância quântica: conhecer as partes não garante o conhecimento do todo!

Ignorância quântica: conhecer as partes não garante o conhecimento do todo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/08/2011

O professor Coruja sabe que Joãozinho não sabe tudo sobre o E mas, em um mundo quântico, não consegue desmascarar sua ignorância.[Imagem: Vidick et al.]

O todo e as partes 

Há séculos, os métodos indutivo e dedutivo têm permitido que os cientistas caminhem do todo para as partes, e das partes para o todo, aprimorando o conhecimento do mundo natural a cada passo dado nessas caminhadas.

Essa aquisição de conhecimento é possível porque há uma estreita ligação entre o conhecimento do todo e o conhecimento das partes - quanto mais partes você conhece, mas entende do todo, e, quanto mais você entende o todo, maior compreensão tem de cada uma de suas partes.

Mas a esquisita teoria quântica garante que nada é garantido: o mundo quântico, ao contrário do mundo clássico, permite que você responda questões corretamente mesmo quando você não tem toda a informação que precisaria ter.

É isso que garantem Thomas Vidick e Stephanie Wehner, da Universidade Nacional de Cingapura.

Ignorância clássica
 
Se você não entende nada de mecânica quântica, não se preocupe: o celebrado físico Richard Feynman dizia que ninguém entende a mecânica quântica.

Você apenas precisa saber que os dois físicos usaram a teoria quântica para demonstrar que é possível responder corretamente a praticamente qualquer questão sobre as partes de um sistema sem precisar conhecer o sistema inteiro.

Ou que o conhecimento do todo não garante que você conseguirá responder tudo sobre suas partes.
Imagine, por exemplo, que um aluno chega para um exame tendo lido apenas metade do livro que lhe ensinaria a matéria.

O aluno tem um conhecimento incompleto sobre o todo - o livro - e terá que responder questões sobre suas partes - os assuntos contidos em suas páginas.

O senso comum diria que o aluno será rapidamente desmascarado, tão logo ele chegue nas questões cujas respostas estão nas páginas que ele não leu.

E, no mundo clássico, isso sempre foi e continuará sendo assim.

A teoria quântica, porém, não concorda com esse senso comum, e afirma que o aluno poderá se sair muito bem no teste - ele poderá até mesmo tirar um 10 - se, em vez das informações clássicas de um livro clássico, estivermos lidando com informações quânticas.

Ignorância quântica: conhecer as partes não garante o conhecimento do todo
"Nós observamos esse efeito, mas de fato ainda não entendemos de onde ele surge," admite a Dra. Stephanie Wehner. [Imagem: CQT]
 
Ignorância quântica

No caso das informações quânticas, não há como saber qual informação o aluno não detém - nem mesmo se o professor ficar sabendo de antemão qual parte do livro o aluno leu.

Ou seja, a chamada ignorância quântica estará preservada, e o aluno jamais será desmascarado.

"Nós observamos esse efeito, mas de fato ainda não entendemos de onde ele surge," admite Wehner, acrescentando que, conceitualmente, é algo muito esquisito e, uma vez mais, provando que Richard Feynman tinha razão.

E não espere por explicações mais claras mais tarde, porque uma compreensão intuitiva dos fenômenos quânticos parece ser algo inatingível.

Essa impossibilidade de desmascarar uma ignorância quântica parece ter vindo para se somar a uma série de outros fenômenos quânticos, impossíveis de se curvarem a uma explicação mecanicista tradicional.

Intuição quântica

"Uma questão central do nosso entendimento do mundo físico é o quão nosso conhecimento do todo se relaciona com o nosso conhecimento das partes individuais," descrevem os pesquisadores.

Ou, ao inverso, o quanto nossa ignorância sobre o todo impede o conhecimento de ao menos uma das suas partes.

"Baseando-nos puramente na intuição clássica, certamente estaríamos inclinados a conjecturar que uma forte ignorância do todo não pode vir sem uma significativa ignorância de ao menos uma de suas partes.

"Curiosamente, entretanto, essa conjectura é falsa na teoria quântica: nós fornecemos um exemplo explícito onde uma grande ignorância do todo pode coexistir com um conhecimento quase perfeito de cada uma de suas partes," concluem.

Segundo eles, além das implicações teóricas, ainda não totalmente compreendidas, a descoberta pode ter sérias implicações para as pesquisas em criptografia quântica, que pretende criar meios de codificar informações à prova de qualquer ataque.

A Dra. Wehner foi uma das autoras da descoberta surpreendente, feita há menos de um ano, de uma relação entre a chamada ação fantasmagórica à distância e o Princípio da Incerteza de Heisenberg.
Bibliografia:

Does Ignorance of the Whole Imply Ignorance of the Parts? Large Violations of Noncontextuality in Quantum Theory
T. Vidick, S. Wehner
Physical Review Letters
29 July 2011
Vol.: 107, 030402 (2011)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.107.030402
 
Link:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=ignorancia-quantica-partes-conhecimento-todo&id=010130110802

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Roqueiros acham filão biográfico!

Roqueiros acham filão biográfico

Por JULIE BOSMAN






Quando Sammy Hagar apareceu em março na Left Bank Books, em St. Louis (Missouri), não era uma sessão de autógrafos típica. Hagar, ex-vocalista do Van Halen, começou a beber tequila assim que o evento começou. A polícia fez a segurança. E funcionários pediram às fãs que não levantassem a blusa diante do autor.

Tais são os perigos de trabalhar com as lendas do rock que se dispõem a colocar suas vidas no papel -um grupo que inclui o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards; Ozzy Osbourne, do Black Sabbath; Pete Townshend, do The Who; e Patti Smith, pioneira do punk.

Em meio às dificuldades do mercado editorial, o filão das biografias de roqueiros decolou, motivando as editoras a fechar mais contratos com músicos.

"Há um número incomum", disse Ed Victor, agente literário de Richards. "E isso porque houve alguns muito bem-sucedidos, e as pessoas querem copiar."

"Vida", a autobiografia de Richards, faturou mais de US$ 7 milhões, foi elogiada pela crítica e passou 22 semanas na lista de best-sellers em capa dura do jornal americano "The New York Times". A autobiografia de Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, teve tanto sucesso na fase de pré-vendas que sua editora, a Ecco, precisou encomendar mais seis reimpressões ainda antes do lançamento, em maio.

"Parece que o Hall da Fama do Rock está inteiro sentado na frente do computador", disse David Hirshey, editor da HarperCollins, que acaba de adquirir os direitos do livro de Townshend.

Editores e agentes literários dizem que esse grande lote de autobiografias roqueiras pode ter se materializado não só por nostalgia mas também porque muitos artistas estão alcançando o crepúsculo das suas carreiras.

"Há uma geração de titãs que está olhando para trás e percebendo que suas histórias ainda serão contadas", disse Michael Pietsch, editor da Little, Brown.

Muita gente que viveu o auge da fama nas décadas de 1980 e 1990 chegou a uma idade natural para escrever um livro de memórias, disse Mauro DiPreta, editor-associado da ItBooks. "Eu acho que é por isso que essa é uma categoria emergente."

Townshend, por exemplo, começou a escrever sua biografia nos anos 90, mas abandonou-a devido a discordâncias com sua editora sobre os rumos do livro. Recentemente, ele fechou contrato com a HarperCollins.

"Eu me vejo mais como um escritor do que como qualquer outra coisa", disse Townshend, que trabalhou como editor de livros. Talvez mais do que em outras biografias, as dos músicos contêm drama, disse Stacy Creamer, editora da Touchstone. "Com o pessoal da música, sempre haverá uma árdua escalada até o topo", disse ela. "Há tentações ou coisas a superar quando você tiver muito sucesso. Em seguida, a banda se desfaz. Todo o arco da história acaba por ser fascinante."

O dinheiro pode ser um fator importante, especialmente quando os adiantamentos chegam aos milhões. "Para os caras que estão agora na faixa dos 60 anos, eles estão vendo grandes pagamentos", disse Daniel Halpern, presidente e editor da Ecco. "É também o legado deles. Eles querem que saia antes de eles irem embora."

Link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0108201120.htm