terça-feira, 10 de setembro de 2013

'Scandi Crime' continua fazendo sucesso em todo o mundo!

Queda do interesse pelo Scandi Crime? - PublishNews - 22/07/2013 - Pasi Loman


Nordic Noir vs French Noir


“O fenômeno cultural da região que nos deu séries como The Bridge, Borgen e The Killing não mostra nenhum sinal de desaceleração”, escrevem Paul Bignel e Paul Gallagher na edição de 17 de junho de 2013 do jornal britânico The Independent em um artigo sobre livros, filmes e séries de TV dos países nórdicos. 

Então por que, apenas um mês depois, o mesmo jornal, em artigo divulgado pelo PublishNews, afirma que há uma queda no interesse por histórias de detetives e crime nórdicos...”? 

Porque a última afirmação foi feita por pessoas que buscam promover romances policiais franceses: uma editora, um tradutor de francês-inglês e a chefe do departamento de livros do Instituto Francês. De fato, é do interesse destes afirmar que o “Scandi Crime” esteja em declínio e que a ficção policial francesa trará a próxima onda de sucessos.
 
Claro que é possível que mais autores franceses de romance policial estejam surgindo. Porém, apenas o fato de que o autor francês Fred Vargas tenha ganho o prêmio CWA não pode ser visto como evidência de uma “nova onda”, especialmente se considerarmos que esta é a terceira vez que ele o ganha. De qualquer maneira, o sucesso de autores franceses não significa que os autores escandinavos sofram com tal sucesso.
 
Na verdade, livros, filmes e séries de TV do Scandi Crime continuam a ser extremamente populares, como mostra o artigo de 17 de junho no The Independent. É evidente que pessoas que trabalham com o Scandi Crime, como eu, podem ser acusadas de ser tão parciais quanto os franceses. 

Devo, assim, apontar alguns fatos e estatísticas. Por trás dos fenômenos mundiais como Stieg Larsson, Henning Mankell e Jo Nesbo, há inúmeros autores escandinavos de romances policiais cujas obras foram traduzidas em 10, 20 ou mais idiomas, muitos dos quais venderam milhões de cópias e apareceram em listas de mais vendidos. 

Alguns exemplos incluem: Anna Jansson, editada em 14 países com mais de 1 milhão de livros vendidos; Viveca Sten, publicada em 12 países com 1,2 milhões livros vendidos somente na Suécia (população de 9 milhões); Hakan Nesser, publicado em mais de 20 países com mais de 3 milhões de livros vendidos; Leena Lehtolainen, editada em 29 países com mais de 2,3 milhões de livros vendidos (o primeiro livro da Lehtolainen, Meu Primeiro Assassinato, será lançado no Brasil na Bienal do livro pela Vertigo, um novo selo da Autêntica, que também publicará em breve o norueguês Gunnar Staalesen e os irmãos dinamarqueses Hammer & Hammer e está avaliando outros autores nórdicos). 

Série de livros do autor Henning Mankell deu origem à séries de TV, como essa, produzida pela BBC, e protagonizada pelo ator Kenneth Branagh.

Tamanho é o talento e popularidade que a agência literária Vikings of Brazil, especializada em literatura nórdica, frequentemente se recusa a representar autores nórdicos de romances policiais que tenham sido vendidos em “apenas” 5 a 10 países.
 
Outra evidência do sucesso contínuo do Scandi Crime, ou Nordic Noir, são os eventos internacionais organizados em torno do tema. No mês passado aconteceu a Nordicana na Inglaterra e no mês que vem haverá um festival de Scandinavian Crime Cinema nos EUA, na American Film Institute (AFI) Silver Theatre. Praticamente todos os filmes no festival são baseados em livros, e obviamente os filmes ajudam vender mais livros e vice-versa.
 
Tambémé importante notar que o sucesso do Scandi Crime não depende de autores já estabelecidos. Novos autores são descobertos continuamente, que rapidamente conquistam o mundo com seus romances de estreia. Destes, podem ser mencionados sucessos recentes como Erik Axl Sund, vendido para 33 países (inclusive o Brasil), e Jacob Melander, vendido para 9 países (ainda disponível no Brasil).  

A conclusão é que não há queda no interesse pelo Scandi Crime, o gênero continua a vender extremamente bem e há fortes indícios que sugerem que seu sucesso internacional continuará por muito tempo.
 
Pasi Loman é agente literário, sócio da Vikings of Brazil Agência Literária e de Tradução Ltda. & representante do Instituto Ibero-Americano da Finlândia no Brasil.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ROMANCE NÓRDICO - Uma fórmula de sucesso vinda do frio!


ROMANCE NÓRDICO - Uma fórmula de sucesso 

vinda do frio - 


por Carlos eugÊNIO AUGUSTO, DO 

BLOG 'RUA DE BAIXO

Stieg Larsson, Jo Nesbo, Henning Mankell, Arnauldur Indridason, Camilla Lackberg, Yrsa Sigurdardóttir, Asa Larsson, Lars Kepler, Karim Fossum, Mons Kalentoft. Estes nomes dizem-lhe alguma coisa? Não, não estamos a falar de personagens de Tolkien. Esta é uma lista possível que refere alguns dos nomes maiores do romance policial originário do norte da Europa que, de uma forma algo inesperada mas convincente, invadiram as livrarias de todo o mundo.
Suecos, dinamarqueses, finlandeses, islandeses, não importa; estes escritores colocaram a Escandinávia no mapa do que de melhor se faz em termos de literatura policial. Curiosamente – ou talvez não -, falamos de uma zona do globo que tem percentagens de incidências criminosas ínfimas comparadas com países como o Brasil ou Estados Unidos. Será a imaginação mais fértil por estas paragens?
Numa altura em que as grandes referências económicas dos países nórdicos como o são (ou eram) a Nokia, a Volvo e a Saab entraram em colapso, são os romances policiais que se assumem como um novo e determinante filão financeiro para a referida zona europeia. 
Para além de servir de cartão-de-visita, a literatura policial nórdica tornou-se numa imagem de marca e, autores como o malogrado Stieg Larsson ou Henning Mankell, conseguem vender milhões de livros, com destaque para as mais de 60 milhões de cópias da Trilogia “Millenum” já vendidas e a consequente adaptação cinematográfica das aventuras da magnética Lisbeth Salander.
A origem do policial
Através da sua história recente, a literatura viu surgiu novos géneros que tinham, para além da função de entreter, o desígnio de funcionar como uma “agência de viagens”, que lograva maravilhar os leitores com novos lugares e costumes. O policial não foge à regra.
Muitos defendem que terá sido Edgar Allan Poe a escrever o primeiro romance policial quando, no início da década de 1840, publicou “Crimes na Rua Morgue”. Aproveitando esse balanço, autores britânicos como Agatha Christie ou Arthur Conan Doyle transformaram personagens como Hercule Poirot ou Sherlock Holmes em habitantes usuais no imaginário de todos.
A febre do policial alastrou-se um pouco por toda a Europa e, o estilo da narrativa, ganhou milhões de adeptos que sonhavam com as aventuras de detetives e comissários de polícia que tinham, na intuição e lirismo, as suas melhores armas. A escrita destes romances era outra das vantagens deste novo “estilo” pois, ao invés de recorrer a linguagens mais elaboradas e barrocas, serviam-se de um discurso simples e direto, captando de imediato a atenção do leitor.
Já no terceiro quartel do século XX, o sucesso destes livros fez com que várias cadeias televisivas arriscassem passar para o pequeno ecrã as aventuras do Holmes, Poirot ou Maigret, entre outros, sendo que a aceitação dos espetadores era crescente. O policial passou a integrar o ADN cultural, por exemplo, dos britânicos, que reclamavam para si o mérito do género.
Mas o fenómeno era global e, um pouco por todo o mundo, surgiam novos personagens sedentos por vencer o crime. Se da Grã-Bretanha saiam académicos e pensadores como Holmes e Poirot, os norte-americanos Raymond Chandler ou Dashiell Hammett criavam homens à beira do colapso pessoal, como Philip Marlowe ou Sam Spade. Não querendo ficar atrás, o checo Josef Skvorecky fez nascer o inspetor Burovka, o italiano Camilleri deu vida a Montbalbano e Mankell imaginava Wallander, um melancólico polícia sueco que exponha as mudanças da própria sociedade.
A própria conjuntura política da Europa ajudou a fomentar o género policial. Na ressaca da Segunda Grande Guerra, vários autores regressaram ao passado recente e países como a Holanda, Itália, Alemanha, França e Inglaterra tentavam esclarecer dúvidas do conflito através de intrigas policiais internacionais, que faziam repensar a natureza da guerra enquanto jogo de xadrez à escala global.
Romance policial nórdico
A fuga ao banal
Paulatinamente, o romance policial foi ganhando o epíteto de género menor dentro da própria literatura. A banalidade encontrada em milhares de romances de natureza criminal era agora um incentivo para a fuga dos leitores do género. Era precisa e urgente uma nova visão.
Com uma cultura necessariamente diferente do resto da Europa, os escandinavos têm um passado que evocava uma longa tradição de sagas repletas de ação e conquista sanguinárias, assim como uma paisagem única que absorve dos contextos gélidos a esperança de um calor interior, muitas vezes conferido pelo fervor de uma escrita singular.
E terá sido essa estranheza – essa nova linguagem – que provocou, numa primeira abordagem, uma barreira à aceitação dos autores nórdicos por parte do mainstream europeu. 

Os contornos obscuros da narrativa de alguns autores serviu de tampão cultural e mesmo Stieg Larsson teve grande dificuldade em publicar “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, o primeiro volume da saga Millenium. 

Os editores britânicos, por exemplo, chegaram mesmo a ponderar não editar mais obras de escritores como Indridason, pois as fracas vendas que os seus primeiros livros revelavam criavam entraves financeiros. Os nomes complicados dos personagens e a nomenclatura regional afastavam os leitores mais “preguiçosos”.
Cientes da importância crescente da globalização, alguns autores escandinavos perceberam que tinham de mudar as perspetivas da sua escrita. O apelo à universalidade, ainda que sem apagar vestígios próprios inerentes à sua cultura, começou a registar-se nos romances policiais naturais da Suécia, Dinamarca e países vizinhos e, alguns autores, decidiram recolocar o leitor face a geografias e conceitos desconhecidos.
A interconetividade começou a ser real e, autores como Nesbo e Indridason, colocaram nos seus livros mapas das cidades onde a narrativa tinha lugar, ou faziam a descrição de acontecimentos e tradições culturais muito localizadas – como é o caso da cozinha tradicional.
Por sua vez, Mankell foi um dos autores que conseguiu a proeza de regionalizar a ação. Assim, um crime horrendo numa pequena cidade como Ystad, na Suécia, atrai consideravelmente mais atenção que um delito na gigantesca Nova Iorque. Os pormenores, o sal de qualquer trama, ganhavam o desafio perante a banalidade da grandeza.
Os personagens também cresciam e assumiam contornos muito claros e distintivos. Ainda que resistissem personagens à imagem de Marlowe e Spade, surgiam novos desígnios. 
Se em “Smilla e os Mistérios de Neve”, de Peter Hoeg – para muitos o primeiro grande thriller da nova vaga dos policiais nórdicos -, ficamos a conhecer Smilla Jasperson, uma especialista em propriedades físicas do gelo, Stieg Larsson presenteou todos com Lisbeth Salander, uma jovem socialmente inadaptada, tatuada e repleta de piercings que assume a função de investigadora cyber-punk especialista em informática. 
Ambas mulheres, ambas “não-polícias”, ambas absolutamente fascinantes. 
Pelo meio, surgem advogadas a resolver crimes, padres que ajudam na descoberta de mistérios insondáveis e hipnotistas que procuram na sua arte a razão de assassinatos brutais.
Romance policial nórdico
A reinvenção do crime
Para além das referidas inovadoras filosofias e perspetivas dos romances, os autores nórdicos dinamizaram também o género noir. Ao contrário de autores que mantém as linhas mais tradicionais de contar a sua história e de desvendar o crime, tal como muitos dos seus antecessores fizeram ao longo de décadas, Nesbo, Larsson, Mankell e comparsas extravasam esse conceito.
Ainda que Perry Mason, Ellery Queen ou Alex Cross sejam exemplares na sua luta contra o crime, qualquer destes personagens não tem a profundidade e a riqueza de Wallander, Harry Hole ou Mikael Blomkvist. 
Ao contrário de algum distanciamento entre criminoso e investigador, obras como a trilogia “Millenium” ou livros como “Pássaro de Peito Vermelho” ou “O Homem de Pequim” levam o detalhe ao limite, mostram veracidade e brutalidade nos crimes que são, na sua essência, viagens ao interior de nós próprios, ao limite da racionalidade do ser humano, percursos a lugares que nos estão bem próximos.
Ainda assim, apesar de todas estas ou outras variadíssimas razões, o sucesso global desta escrita viking suscita algumas dúvidas. Será que esta fórmula tem capacidade de ser reinventar depois de esgotada? Conseguiram os autores nórdicos suplantar eventuais imitações de falsas heroínas inspiradas em Salander? Ou será esta onda motivo de transcendência para outros escritores? 
A palavra está do lado do leitor.
E, pegando nessa questão, deixamos aqui um desafio a quem nos lê. Digam-nos quais os autores e obras policiais de origem nórdica que mais os satisfizeram, quais as maiores desilusões, se elas existiram, e que títulos recomendariam. Digam de vossa justiça e evitem o crime do silêncio.
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sexta-feira, 31 de maio de 2013

O rock de Brasília e a história de uma geração!

O rock de Brasília e a história de uma geração

Rede Brasil Atual - 27/05/2013 - Por Xandra Stefanel



Thiago Mendonça interpreta (ou melhor, encarna) Renato Russo no excelente filme 'Somos Tão Jovens'. 
    Jovens vivendo sob uma ditadura e influenciados pelo punk inglês, entre outras sonoridades: a receita para o nascimento de bandas no Distrito Federal, nos anos 1980, mudando a cena musical brasileira

    Além do filme Faroeste Caboclo, que narra a história de uma das canções mais famosas da Legião Urbana e estreia em 430 salas na semana que vem, está em cartaz o longa-metragem Somos Tão Jovens, espécie de cinebiografia de Renato Russo. 

    Dirigido por Antônio Carlos Fontoura, o filme mostra a trajetória de Renato Manfredini Júnior antes de se tornar o mito Renato Russo. Da adolescência ao surgimento da turma da Colina, um grupo de amigos que transformaria o rock de Brasília em um dos mais viscerais na década de 1980 (e também tema do documentário Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho, lançado no final de 2011).

    O pano de fundo do filmes é uma cidade entediante e opressora. E é neste contexto que Renato e amigos, também fãs do punk inglês, rasgam suas roupas e usam a música para extravasar a energia reprimida. É junto dessa turma, mais especificamente com o início de sua primeira banda, Aborto Elétrico, que ele começa a desenvolver sua habilidade como letrista.

    No início do filme, o ator que interpretou Renato Russo, Thiago Mendonça, pode até deixar dúvidas se sua atuação chegará à altura do mito. Mas com o tempo ele incorpora de tal forma os trejeitos e a força de Renato, que acaba se tornando um retrato fiel do cantor.

    Fontoura mostra o contexto em que é gerada a Legião Urbana, mas decide terminar seu filme por aí, antes que ela se tornasse uma das mais importantes e expressivas bandas brasileiras. E está aí o êxito de seu filme, que é repleto de música e jovialidade.

    O país ainda estava sob uma ditadura, em 1982, quando a Legião Urbana nasceu. Renato Manfredini Jr., o Renato Russo, já tinha fundado, em 1978, o Aborto Elétrico e em seguida apresentou-se sozinho como Trovador Solitário. As reuniões no conjunto habitacional da Colina reuniam, desde o final da década de 1970, Renato, Fê e Flávio Lemos, André Pretorius, Philippe Seabra entre outros garotos fascinados pelo som das bandas britânicas The Clash, The Cure e Joy Division (Seabra, que formaria a Plebe Rude, é o responsável pela trilha sonora de Faroeste Caboclo).

    Eles faziam parte da classe média de Brasília, eram cultos e adeptos da cultura punk. Como eram jovens contestadores que viviam no centro do poder do país e acompanhavam de perto os desmandos da ditadura, não era de se estranhar que estivessem ávidos para pôr para fora tudo o que pensavam sobre a política e a sociedade da época. Neste cenário, praticamente juntos, nasceria a primeira geração de músicos brasilienses: as bandas Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial.

    A vida cinza na capital federal e a abertura política que estava sendo gestada moldou completamente rock dessas bandas. O som delas era diferente do rock do Rio de Janeiro e de São Paulo. É certo que postura contestadora do grupo causaria problemas. Já no primeiro show da Legião e da Plebe Rude, em 1982, em Patos de Minas, as bandas cantaram, respectivamente, Que País é Esse? e Vote em Branco e acabaram detidas pela polícia após a apresentação.

    Com a Legião Urbana, nasceu uma nova maneira de escrever as letras e de cantar. A angústia e a tensão na música e na voz de Renato eram diferentes de tudo o que existia na música nacional até então. O primeiro álbum, lançado pela EMI em 1985, leva o nome da banda, até então composta por Renato, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha. Com Geração Coca-Cola, faziam uma crítica nada ingênua aos jovens, uma espécie de desabado, um grito para que sua geração, crescida sob os coturnos da ditadura, acordasse.

    O segundo disco, Dois, lançado no ano seguinte, era menos punk e mais folk e trazia os sucessos Eduardo e Mônica, Música Urbana 2, Fábrica e Índios. Foi no terceiro álbum, Que País é Este 1978/1987, que nasceu a triste história de João de Santo Cristo, de Faroeste Caboclo, que acaba de virar filme.

    Em Quatro Estações, de 1989, o tom da banda já estava diferente, mais filosófico e introspectivo. Aqui, novas problemáticas de daquela geração vêm à tona: a sexualidade (Meninos e Meninas e Maurício), as relações familiares (Pais e Filhos) e a Aids (Feedback Song for a Dying Friend, uma homenagem à Cazuza, também contaminado pelo vírus HIV).

    Em 1991, quando V foi lançado, Fernando Collor de Mello comandava o Brasil. Além do clima de desesperança que o país vivia, o tom sombrio dos arranjos do disco refletia também o problema que Renato Russo enfrentava com as drogas e a Aids, recém-descoberta.

    O disco Música para Acampamentos, de 1992, é uma compilação dos sucessos anteriormente gravados pela banda que serviria como um respiro até que a poeira baixasse e eles pudessem voltar aos estúdios, com O Descobrimento do Brasil, a última (e mais curta) turnê da Legião Urbana.

    Renato lançou dois álbuns solos, The Stonewall Celebration Concert e Equilíbrio Distante. Depois o grupo voltou a se reunir para gravar um novo disco. A Tempestade ou O Livros dos Dias foi feito já com Renato bem debilitado e foi lançado em 1996. 

    Mesmo não tendo anunciado publicamente que era portador do vírus da Aids, era evidente que com Via Láctea Renato Russo se despedia da Legião Urbana e do público ("Eu nem sei por que me sinto assim/ Vem de repente um anjo triste perto de mim/ E essa febre que não passa/ E meu sorriso sem graça/ Não me dê atenção/ Mas obrigado por pensar em mim").

    Um mês depois do lançamento do álbum, em outubro de 1996, o vocalista morria, aos 36 anos.

    Entre discos gravados em estúdio, ao vivo e compilações, 16 álbuns foram lançados pela Legião Urbana. Não é à toa que o conjunto da obra compõe o retrato de uma geração, com toda sua rebeldia, seus excessos, questionamentos, críticas políticas e os conflitos amorosos, tão presentes nas letras e na vida de Renato Russo.

    Link:


    Philippe Seabra comenta sobre o filme 'Faroeste Caboclo':

    sábado, 13 de abril de 2013

    'Argo' é uma peça de propaganda que distorce a história!

    Uma mentira conveniente: por que “Argo” é uma fraude 

    histórica - Por Harold Von Kursk, no Diário do Centro do 

    Mundo

    Filme de Ben Affleck não se apega aos fatos e engrandece papel da CIA. 
    Durante o stalinismo, a história foi reescrita com frequência em conformidade com a ortodoxia soviética. O protagonismo de Leon Trotsky, um dos principais arquitetos da Revolução Russa de 1917, foi minimizado ou apagado – até mesmo fotos de Trotsky em pé ao lado de Lenin, Stalin e outros membros do comitê central foram desajeitadamente retocadas para remover vestígios de sua existência.

    Com “Argo”, um exercício desenfreado de ufanismo americano e imperialismo cultural, Ben Affleck cometeu uma forma similar de fraude. Essa é a opinião de Ken 
    Taylor, o ex-embaixador canadense no Irã que realmente arquitetou a fuga dos seis reféns que ele e o primeiro-secretário da embaixada John Sheardown haviam escondido em suas casas, em situação de risco pessoal considerável.

    “Foram três meses de preparação intensiva para a fuga”, explica Taylor. “Eu acho que o meu papel foi um pouco mais importante do que abrir e fechar a porta da frente da embaixada.” (Essas são essencialmente as imagens que comprovam a existência de Taylor no esquema criacionista de Argo.)

    Affleck fez um filme de propaganda, uma auto-felação que inverte e distorce os fatos em sua tentativa frenética de apresentar o agente da CIA Tony Mendez (interpretado por ele mesmo) como a pessoa que trabalhou nos bastidores para realizar a retirada. 

    O roteiro se baseia em documentos confidenciais da CIA, abertos ao público nos anos 80, que revelaram como Mendez desenvolveu um disfarce para os seis americanos – o de uma equipe de cinema que queria fazer um filme de ficção científica no Irã.

    Essa é a única parte do filme Affeck que possui alguma verdade. Praticamente todo o resto é uma mentira para satisfazer um público americano faminto de heróis.

    “Tony Mendez ficou um dia e meio no Irã”, diz Ken Taylor. Em vez de apresentar um relato honesto de uma missão de resgate histórico, que o embaixador canadense tinha em grande parte planejado e que a CIA apenas ajudou a executar, Affleck se entrega a uma pirotecnia mal disfarçada que corrompe a verdade, dando primazia ao envolvimento dos EUA.

    Na sexta passada, a frustração de Taylor atingiu o limite. “Não haveria filme sem os canadenses. Abrigamos os seis sem que nos fosse solicitado”. Argo tem recebido vários prêmios nos últimos meses. Embora Affleck tenha sido supostamente “esnobado” por Hollywood ao não ser apontado na lista de melhor diretor no Oscar, seu longa recebeu várias indicações.

    Além de “Argo” ter sido canonizado por ligas e premiações de diferentes setores nos meses passados, a questão mais ampla é como Affleck conseguiu enganar tanta gente em seu caminho para a glória da crítica, apesar das enormes distorções, invenções e fabricações que o filme comete para defender a CIA como um grupo de espiões inteligentes. 

    Como a Grande Mentira tomou conta da imaginação limitada de Affleck?

    “Argo” se situa no Irã, logo após a queda do Xá em 1979, quando a Guarda Revolucionária invadiu a embaixada americana. Seis funcionários conseguiram escapar e se esconderam por vários dias até que dois deles entraram na residência do casal Pat e Ken Taylor. Outros quatro foram para a casa de John Sheardown e de sua mulher Zena depois que o funcionário consular Robert Anders telefonou para o amigo Sheardown pedindo que ele o recebesse com seus três colegas fugitivos. “Por que você demorou tanto?”, foi a resposta do Sheardown.

    (Nada disso aparece na versão de Affleck. Sheardown sequer é mencionado.)

    Os fugitivos passaram três meses no limbo das duas residências até que Taylor finalmente convenceu um reticente departamento de estado americano de que as autoridades iranianas estavam começando a farejar as casas.

    Em seu zelo para contar a história do agente Tony Mendez, Affleck reescreveu boa parte da história e enxugou radicalmente o papel do embaixador. Não foi só ele que deixou clara sua discordância. Em uma entrevista para o jornalista Piers Morgan na semana passada, o ex-presidente americano, Jimmy Carter,  afirmou que “90% do plano foi dos canadenses”, mas o filme “dá crédito quase completo à CIA”.

    Affleck defende sua selvageria autoral dizendo que uma TV canadense já havia feito um filme em 1981. De acordo com ele, “Argo” foi concebido para revelar o “papel secreto da CIA” – que basicamente se resume à criação de uma equipe de cinema a fim de enganar os funcionários da alfândega no aeroporto de Teerã. “Este filme mostra um maravilhoso espírito de colaboração e cooperação. É um grande cumprimento para o Canadá”, afirmou Affleck para mim.

    (Taylor tinha originalmente planejado que eles se passassem por engenheiros, apenas para ter sua ideia rejeitado pela CIA, que de alguma forma bizarra pensou que o approach hollywoodiano fazia mais sentido.)

    Não havia absolutamente nenhuma necessidade de transformar o papel central do embaixador num “concierge” de luxo, que basicamente servia bebidas e canapés e seguia ordens. Taylor, que é interpretado pelo canadense Victor Garber, declarou que “‘Argo’ faz parecer que os canadenses estavam ali apenas a passeio”.

    Affleck respondeu um tanto irritado: “Eu admiro Ken por seu papel no resgate. Estou surpreso que ele continue a ter problemas com o filme”. Em outubro, quando Argo estava sendo lançado na América do Norte, Affleck soube que Taylor estava começando a falar publicamente sobre sua decepção com seu trabalho. Ben Affleck organizou às pressas uma exibição e, depois de ouvir suas objeções, concordou em inserir um texto no início dos créditos: “O envolvimento da CIA complementou os esforços da embaixada canadense”.

    A verdade é outra: Taylor planejou a fuga, enquanto a CIA e seus homens, Mendez à frente, simplesmente ajudaram a preparar o estratagema esquisito que serve como um contraponto cômico para o drama subjacente no Irã. Tony Mendez era uma espécie de assessor técnico. Mas, na narrativa falsificada de Affleck, todo o heroísmo é reservado para seu alter ego.

    A história real por trás da fuga evoluiu de outra forma. Durante os quase três meses em que os seis fugitivos estiveram escondidos, o governo canadense em Ottawa preparou documentos oficiais – passaportes, carteiras de motorista, até mesmo alfinetes com a bandeira –, enviados a Teerã via mala diplomática.

    O papel da CIA foi forjar os vistos de entrada – mas até isso eles conseguiram ferrar. 

    Os selos falsos continham um erro catastrófico feito por um agente, que se equivocou na data de entrada. Um membro da embaixada canadense, Roger Lucey, apontou a burrada (ele podia ler farsi, em oposição ao apparatchik da CIA). Lucey passou várias horas debruçado sobre uma lupa, forjando os passaportes e torcendo para que seu trabalho penoso passasse despercebido pelas autoridades.

    Outro ato flagrante de omissão de Argo é que a CIA contou com Taylor para fornecer informações sobre o caos da tomada de reféns em curso na embaixada dos EUA, onde 52 americanos ainda estavam sendo mantidos em cativeiro pela Guarda Revolucionária. Taylor pediu a um sargento canadense, Jim Edwards, que saísse e monitorasse, com seu time, a área ao redor da embaixada dos EUA durante várias semanas, para uma possível missão dos Estados Unidos.

    Edwards foi detido e interrogado por cinco horas, até ser liberado por volta da uma da manhã. “Nós bebemos um monte de uísque juntos”, Taylor recordou. “Ele poderia facilmente ter sido preso como um espião.”

    Mark Lijek, um dos dois americanos que passaram 79 dias na casa de Sheardown, confirma o relato. “Toda a embaixada canadense passou a se concentrar em nossa sobrevivência e eventual saída, o que é praticamente sem precedentes na história diplomática”, Lijek explicou. “É triste que Argo ignore tudo isso.”

    Argo também inventa três cenas-chaves que nunca aconteceram. A primeira é quando Affleck-Mendez leva os fugitivos a um local e atravessa um bazar iraniano. “Isso teria sido suicida,” diz Lijek. A segunda instância da imaginação fantasiosa de Affleck é a sequencia do aeroporto, no final, em que a Guarda Revolucionária interroga o grupo – o que simplesmente nunca aconteceu.

    Finalmente, “Argo” inventa o clímax em que um jipe militar cheio de soldados armados persegue o avião na pista. “É tudo ficção”, conta Taylor. “Foi bom ir ao aeroporto – exceto por nossos nervos”.

    Affleck é um homem cujo coração está normalmente no lugar certo. Ele apoia causas liberais, defende a liberdade de expressão, é delicado nas entrevistas e frequentemente crítico da direita republicana. Mas ele ou é terrivelmente ingênuo ou estúpido quando se trata de sua leitura do registro histórico. Ele achou que seu bolo fofo de entretenimento lhe dava a “licença artística” para cortar, ajustar e mentir. 

    Em uma entrevista ao Hollywood Reporter, afirmou que era um ex-estudante de assuntos do Oriente Médio da Universidade de Vermont e que escreveu um artigo sobre a revolução iraniana.

    Mas, como um crítico frequente da política externa americana e da administração Bush, por que Affleck decidiu cantar os louvores da CIA, que projetou a queda de Mossadegh e a subsequente substituição pelo Xá?

    Ele deveria checar os fatos. Podemos perdoar a adição de um jipe ​​carregado de metralhadoras perseguindo um jato comercial. Podemos perdoar a adição de um tour suicida em um bazar lotado. Podemos até perdoar “Argo” por fazer John Sheardown desaparecer. Mas não há como desculpar uma visão manipuladora e irremediavelmente distorcida da realidade para maquiar uma peça de propaganda.

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    domingo, 24 de março de 2013

    'Continuum' - Ótima série de Sci-Fi ataca o poder das Corporações e defende idéias anarquistas! - por Marcos Doniseti!

    'Continuum' - Ótima série de Sci-Fi ataca o poder das Corporações e defende idéias anarquistas! - por Marcos Doniseti!

    Série estreou no Brasil, no canal Space, sendo exibida às 21hs nas Sextas-Feiras!
    A ótima série 'Continuum' teve uma excelente temporada de estréia, da qual foram produzidos 10 episódios. A segunda temporada começará a ser exibida no dia 21 de Abril, nos EUA-Canadá, e terá 13 episódios.
    O canal Space (58 na Sky) começou a exibir, na sexta-feira, no dia 08 de Março (às 21hs), a ótima série 'Continuum', uma ficção-científica muito boa e que é de origem canadense (exibido pela canal a cabo 'Showcase'), mas que parece americana, pois manteve uma excelente qualidade de produção durante toda a sua primeira temporada. 

    Inclusive, a série obteve as maiores audiências da história do canal canadense no episódio que encerrou a primeira temporada. 

    Resumindo a história do seriado, tudo começa em 2077, quando as Grandes Corporações cansaram de governar através de intermediários (os políticos e burocratas, sempre facilmente comprados pelo seu imenso poderio financeiro) e assumiram o controle do Estado, passando a governar diretamente. 

    E é claro que existe todo um aparato estatal de repressão (Justiça, Polícia, Prisões, etc) encarregado de manter a 'lei e a ordem', a fim de garantir o 'progresso' dos negócios das Corporações. 

    Porém, também temos um grupo, chamado'Liber8', cujo principal líder se chama Edouard Kagame. Este é interpretado pelo bom e veterano ator Tony Amendola, que já participou de inúmeras séries, como 'CSI', '-X-Files', 'Alias', e que também trabalha em 'Once Upon a Time'. 

    A 'Liber8' luta, usando de violência, contra essa situação de hegemonia corporativa, tentando acabar com o poder das empresas. Na série, o grupo é definido como sendo 'terrorista-revolucionário' e possui caraterísticas anarquistas.

    Na série vemos uma série de referências a fatos históricos recentes e que servem como ponto de partida para a trama desta primeira temporada, em especial a crise financeira mundial que se iniciou em 2008 e que levou os governos do mundo rico (EUA, UE) a injetar trilhões de dólares no sistema financeiro privado falido (isso ocorreu, em especial, nos EUA e na União Europeia... a ajuda total ao sistema financeiro destas economias chegou aos US$ 19 trilhões). 

    Com isso, as corporações privadas, principalmente aquelas ligadas ao sistema financeiro e ao setor de alta tecnologia, ficaram ainda maiores e mais poderosas, passando a usar os governos de acordo com os seus interesses. Basta ver o que está sendo feito atualmente em países como Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha para se constatar isso. 
    Box da primeira temporada de 'Continuum'. 

    Nestes países, direitos duramente conquistados pelos trabalhadores ao longo de vários séculos de luta estão sendo rapidamente eliminados a fim de satisfazer aos interesses das grandes corporações, o que está gerando uma crescente insatisfação política e social. Basta ver o resultado das recentes eleições realizadas na Grécia para se constatar isso. 



    Some tudo isso com o rápido desenvolvimento científico e tecnológico pelo qual a Humanidade passa atualmente, e está criado o cenário a partir do qual os produtores de 'Continuum' desenvolveram a trama do seriado. Na verdade, eles imaginaram um futuro que, em grande parte, cujas sementes já foram plantadas, o que, aliás, é dito pelo Kagame em um episódio desta primeira temporada. 

    O seriado também faz referências mitológicas (Teseu, referente à Mitologia Grega) e literárias (H.G. Wells, Shakespeare, Charles Dickens, George Orwell, etc). 

    Como exemplo disso, no episódio final, vemos Kagame recebendo o livro 'A Tale of Two Cities', de Charles Dickens, e cuja história se desenvolve na época das Revoluções Burguesas (a Revolução Americana - a Independência dos EUA - e a Revolução Francesa). E como o grupo de Kagame se vê como um grupo revolucionário e que visa destruir com o poder das Corporações, então a conexão com este momento da história está mais do que explicado. 

    E no diálogo entre Kagame e o jovem Alec que vimos no último episódio, temos uma clara referência à chamada 'Teoria do Caos', quando o primeiro falou que uma pedra jogada na praia pode gerar um tsunami no outro lado do mundo. 

    Para combater a 'Liber8', existem os policiais, chamados de 'Protetores'. E é aí que aparece a protagonista desta ótima série, que é Kiera Cameron. 

    Kiera é interpretada pela belíssima atriz Rachel Nichols, que participou de várias grandes produções (como 'Star Trek' - interpretando a personagem Gaila -  e 'Conan, o Bárbaro' - no qual interpretou Tamara) bem como atuou em várias outras séries de TV, como 'The Inside', 'Alias' e 'Criminal Minds'.

    Roger Cross ('que trabalhou em séries como 'X-Files', '24 Horas', 'Taken' e 'Fringe', entre muitas outras) interpreta Travis Berta, uma espécie de 'segundo-em-comando' da 'Liber8', mas que entra em conflito com Kagame. É que este defendo o uso de métodos mais racionais de combate, enquanto Travis é adepto da força bruta e irracional. 

    A história se inicia quando os membros da 'Liber8' promovem um atentado terrorista que mata milhares de pessoas, em 2077, e acabam sendo aprisionados e condenados à morte. Mas, pouco antes de serem executados, conseguem fugir de forma inusitada, através de uma viagem no tempo, que os leva de volta ao ano de 2012. 

    Porém, fica a dúvida: Afinal, os membros do 'Liber8' retornaram para a mesma Linha Temporal ou estão em uma realidade alternativa, cujo futuro será alterado justamente pela presença deles em um momento da história na qual, originalmente, nenhum dos seus integrantes havia nascido, ainda? Aliás, em 2012, vemos que a mãe de Kagame estava grávida dele e em um dos episódios ele chega a salvá-la. 


    Quando nasceu Rachel Nichols, Deus deve ter dito: 'Eis aqui a minha obra-prima'.
    Mas eles não contavam com a presença de uma 'passageira' que não havia sido convidada para fazer tal viagem no tempo, que é Kiera Cameron, uma 'Protetora' (policial do futuro). 

    Esta conseguiu se aproximar dos membros do grupo justamente no momento em que eles acionaram o dispositivo que os levou para 2012. E desta maneira eles voltam, juntos, para a Vancouver de 2012. 

    Assim, o conflito entre Kiera e o 'Liber8' terá continuidade nesta 'nova época' (nova para eles, é claro). 

    Neste novo momento da história, Kiera obtém a ajuda de Alec Sadler, um jovem gênio da informática, que vive enfurnado em seu porão fazendo coisas do 'arco-da-velha' em seus computadores'. E ele é o mesmo Alec que, no futuro, em 2077, é amigo e patrão de Kiera e também é o patrão de Greg, marido da mesma Kiera. Em 2077, ele já havia se transformado em um grande empresário, dono de uma imensa Corporação do setor de computação e de alta tecnologia. 

    Aliás, suspeito que essa viagem no tempo teve uma clara participação do 'velho Alec', como se a mesma tivesse sido, de alguma maneira, planejada por ele, que teria, assim, a intenção de mudar o futuro. 

    E ao chegar a 2012, será justamente o jovem Alec que irá ajudá-la a enfrentar a 'Liber8'. 

    Uma curiosidade: o 'velho Alec' é interpretado pelo fantástico ator William B. Davis, o eterno Canceroso de 'X-Files' (aliás, ele é o meu personagem preferido desta clássica série). 


    O excelente ator William B. Davis, o eterno Canceroso da clássica série 'X-Files', participa de alguns episódios de 'Continuum', na qual interpreta o personagem Alec Sadler em 2077. Ele está por trás dos principais acontecimentos da trama e os motivos de suas ações deverão ser explicadas na próxima temporada. O jovem Alec Sadler é interpretado por Erik Knudsen.
    No ano de 2012, Kiera consegue se integrar a equipe de polícia de Vancouver, tornando-se a nova parceira de Carlos Fonnegra (interpretado por Victor Webster, que atuou em séries como 'Charmed', 'Melrose Place' e 'Castle'), com o qual passa a combater os membros da 'Liber8'. E a polícia de Vancouver é comandada pelo Inspetor Dillon (interpretado pelo ótimo ator Brian Markison, que participou de séries como 'X-Files', 'The Killing' e 'The L Word', entre outras). 

    É claro que o fato de Kiera saber tanto a respeito dos membros deste novo grupo terrorista levanta suspeitas em torno dela, mas com a decisiva colaboração do jovem Alec (interpretado por Eric Knudsen, jovem ator que trabalhou na série 'Jericho') estas serão eliminadas e ela passará a comandar a equipe encarregada de combater a 'Liber8'. 

    E para justificar o fato de que sempre tem muito mais informações sobre os membros da 'Liber8' e dos envolvidos nos crimes que investiga do que a própria polícia, Kiera passa a dizer que tem a colaboração de uma agência secreta, a 'Section 6'. Ao fazer isso, ela também consegue esconder qual é a verdadeira identidade do jovem Alec que, sozinho, é a 'Section 6' inteira.

    E Kiera ainda faz uso de tecnologias que trouxe de 2077, como uma visão que lhe permite obter informações instantâneas sobre o comportamento das pessoas, fazendo um scaneamento delas. E ela ainda usa um traje ultra high-tech dotado da capacidade de, entre 'outras cositas más', torná-la invisível, por exemplo. No início, o traje dela era marrom e, agora, é preto, o que deixa Kiera bem mais sexy, convenhamos. 


    'Continuum' defende idéias anarquistas e ataca o crescente poder das Corporações Privadas, Capitalistas, cuja força cresceu imensamente em todo o mundo. E isso não aconteceu apenas na série, não... Basta se informar sobre a recente crise mundial para se constatar isso. Com isso, surgiram as famosas empresas (instituições financeiras) que são 'Grandes Demais Para Quebrar' (há um filme com esse título... recomendo).
    Nos primeiros episódios, vemos todo o sofrimento de Kiera, pois o seu grande objetivo é voltar para 2077, a fim de viver novamente com seu marido e seu filho. Mas, com o passar do tempo, ela vai se dando conta de que talvez nunca mais volte a vê-los. Até porque, existe uma grande possibilidade de que eles não estejam mais vivendo no passado da realidade da qual vieram, mas em uma realidade alternativa, em uma outra Timeline (Linha Temporal). 

    Ou então, eles estão vivendo na mesma realidade, mas que será modificada devido às açõe deles em 2012, sem que isso gere, obrigatoriamente, a criação de uma outra realidade. Seria uma realidade reescrita. 

    Essa hipótese, aliás, foi reforçada pelo fato de que quando a avó de Matthew Kellog morreu, ele não deixou de existir, como deveria acontecer caso estivessem vivendo na mesma realidade de cujo futuro eles vieram.

    Kellog (interpretado pelo ator Stephen Lobo, que participou de séries como 'Fringe', 'Smalville' e 'Painkiller Jane') é um ex-integrante da 'Liber8' que gostou de viver em 2012 e que ficou milionário usando do seu conhecimento do futuro, fazendo apostas e investindo no mercado acionário. 


    E Kellog também se apaixonou por Kiera (ou pelo menos tenta seduzí-la para poder atingir os seus objetivos) e vive dando 'cantadas' nela, tentando convencê-la de que jamais conseguirão retornar para o futuro do qual vieram e que, por isso, estão sozinhos ali e que, nestas circunstâncias, o melhor a faz é aproveitar tudo o que a vida em 2012 pode oferecer. 

    Por isso mesmo é que ele chega a roubar de Kiera um pedaço do dispositivo que permitiu que eles viajassem de 2077 para 2012, pois quer impedir que ela tente voltar para 2077. E no fim da temporada ele conseguiu o que tanto desejava, que era ter uma noite de amor com ela. Mas depois Kiera lhe diz que isso nunca mais irá acontecer. 

    Afinal, o que ela desejava, de fato, era recuperar o pedaço do dispositivo que ele havia roubado dela. E assim ela o fez, pois sonha em voltar para a sua família, em 2077.

    E no episódio que encerra a primeira temporada vemos um diálogo que, para mim, é fundamental para se compreender a trama, que ocorre quando Kagame disse para o jovem Alec que foi o próprio Alec (na velhice, é claro) quem lhe disse que seria possível mudar o futuro. Inclusive, no início do episódio vimos que quando Kagame estava preso, alguém lhe disse que seria possível mudar as coisas.

    E depois o próprio Kagame disse para Kiera que ele e os membros do 'Liber8' estavam agindo sob a orientação do 'velho Alec' e que este era o responsável pelo plano que estavam executando.

    E no fim o jovem Alec recebe uma mensagem do velho Alec na qual este explica que Kiera e os demais estão ali, em 2012, porque isso faz parte de um plano que ele mesmo elaborou. 

    Mas o motivo disso somente ficaremos sabendo na segunda temporada, que começará a ser exibida no próximo dia 21 de Abril e que terá 13 episódios. 

    'Continuum' é uma excelente e nova série de ficção-científica. Vale a pena conferir.
    A equipe de atores da ótima primeira temporada de 'Continuum'.

    Obs1: Segundo o criador de 'Continuum', Simon Barry, na segunda temporada veremos que Kiera irá procurar alguma maneira de retornar para 2077 e continuará lutando contra a 'Liber8'. E também teremos a introdução de novos personagens e o desenvolvimento de novas histórias no seriado, evitando que a série caia na mesmice. 


    Assim, 'Continuum' tem tudo para continuar sendo uma ótima série e que está, cada vez mais, conquistando um público crescente. 


    Que continue assim. 


    Obs2: No episódio final de 'Continuum' tivemos a participação do ator Nicholas Lea (que é canadense) e que também atuou em 'X-Files', fazendo o papel de Alex Krycek. Aliás, William B. Davis também é natural do Canadá. E o ator Ian Tracey (outro canadense) que interpretou o personagem Jason no último episódio da série, e que fez aquela esdrúxula 'máquina do tempo', também trabalhou em 'X-Files', no episódio 'The Walk' (3X07).


    Links:

    Continuum - Showcase:

    http://continuumtheseries.com/

    http://www.showcase.ca/blogs/528/continuum-in-production-for-season-two

    Continuum - Omelete:

    http://omelete.uol.com.br/programacao-da-tv/series-e-tv/programacao-da-tv-4-10-de-marco/

    Continuum - IMDB:

    http://www.imdb.com/title/tt1954347/

    Anarquismo:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo

    Roger Cross:

    http://www.imdb.com/name/nm0003078/?ref_=tt_cl_t11

    Rachel Nichols:

    http://www.imdb.com/name/nm0629697/?ref_=sr_1

    William B. Davis:

    http://www.imdb.com/name/nm0205657/?ref_=sr_1